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Denílson, o Rei Zulu do Fluminense

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Esporte
Por Redação
19 de julho de 2026 - 0h01
(Foto: Divulgação

Por Leo Barros

Há duas máximas no universo de Campos: “quem vai embora, nunca esquece a cidade” e “campista se encontra em todos os lugares do mundo”. Foi assim com Denílson, o Rei Zulu, que trocou o Norte Fluminense pela cidade do Rio ainda na infância. As peladas mudaram de endereço, passaram para Rua Flack, no Riachuelo, até se profissionalizar no Madureira. Porém, as oportunidades no Fluminense apareceram justamente por causa de sua terra natal. O Estádio das Laranjeiras tinha muitos campistas, o que ajudou o jovem de 20 anos. 

“Quando descobriram que eu era de Campos passei a fazer parte da ‘máfia’. A maioria da rapaziada era campista!”, lembrou Denílson ao site Museu do Futebol, em entrevista há 10 anos. 

Um dos conselheiros de Denilson era o zagueiro Pinheiro, campista e ídolo tricolor. Apesar da distância, o Rei Zulu teve outras ligações com a cidade. Nasceu em 28 de março, mesmo dia do aniversário de Campos. Após encerrar a carreira de jogador, foi técnico do Goytacaz na década de 1980, que na época ainda disputava competições nacionais. 

O primeiro cabeça de área 

Com 1,90m, Denilson chamava atenção pelo porte físico e muita disposição. Não tinha uma técnica apurada, mas era craque na marcação. Se tornou profissional no Madureira, disputando poucos jogos, mas chamou a atenção do Fluminense. Nas Laranjeiras, tomou coragem e pediu uma oportunidade ao técnico Zezé Moreira, que autorizou a sua entrada no time.   

Com outros técnicos importantes, como Tim e Telê Santana, foi aperfeiçoando sua técnica e criando uma nova posição no futebol brasileiro: o cabeça de área, responsável por proteger a defesa, roubar a bola e passar para os meias. Errava passes, era criticado, mas a experiência entregou mais sabedoria em campo. 

No total, foram 12 anos de Fluminense, sendo nove como capitão. Está na história do clube como o sétimo jogador com mais partidas pelo clube, com 431. Títulos foram muitos. Foi tetracampeão carioca (1964, 1969, 1971 e 1973) e campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Taça de Prata) em 1970, competição reconhecida como Campeonato Brasileiro décadas depois pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). 

Do Carnaval à realeza africana 

A elegância e as passadas largas de Denilson foram características destacadas pelo cronista Nelson Rodrigues, que o apelidou de Rei Zulu. Por sua proximidade com o Carnaval e a sua presença constante em um tradicional bloco de Ramos, o campista também era chamado de “Cacique de Ramos” pelo radialista Waldir Amaral  O bom futebol, a liderança e a popularidade o levaram à Seleção Brasileira.

“Alto, forte, bem proporcionado, bonito, sempre calmo, gentil, de fala mansa, tudo isso é Denílson. Duro, brigador, vigoroso, de cara feia, tudo isso é também Denílson, só que dentro de campo. Ele é o maior destruidor do Rio. Não tente passar. Ninguém passa por Denílson”, a chamada da Revista Placar de 1970 definia o cabeça de área. 

Denilson foi convocado para a Copa do Mundo de 1966. Ele mesmo não escondia que a preparação para o Mundial foi ruim, mas a oportunidade de atuar ao lado de craques como Pelé e Garrincha fez tudo valer a pena. Foi titular na vitória de 2 a 0 contra a Bulgária e na derrota de 2 a 1 para Portugal. Eliminação precoce na Inglaterra. Sonhou ainda ser chamado para o Mundial de 1970, mas a negação foi uma frustração até o final da carreira.  

Na década de 1970, deixou o Fluminense, se aventurou no Rio Negro de Manaus e no Vitória de Salvador. Depois, foi técnico do time baiano e de outros clubes brasileiros, como Bonsucesso, Confiança, além da base do Fluminense. o Rei Zulu ainda trabalhou na África, comandando o Rangers International, um dos clubes mais tradicionais da Nigéria. 

Idolatrado pela torcida do Fluminense e lembrado como um dos principais jogadores da posição, Denilson morreu em 2024, aos 81 anos, depois de enfrentar problemas de saúde, como um câncer e AVC.