

O número de acidentes de trânsito em Campos colocou a mobilidade urbana no centro das atenções. Diante desse cenário, o SEST SENAT realizou o primeiro seminário “Maio Amarelo 360º: Educação, Infraestrutura e Desenvolvimento Regional”, reunindo órgãos públicos, concessionárias e especialistas para discutir caminhos de prevenção e redução de sinistros no município.
O evento integrou a programação do Maio Amarelo, campanha internacional de conscientização para a segurança no trânsito, e propôs uma abordagem ampliada do tema. A diretora do SEST SENAT em Campos, Rayanna Siqueira, destacou que o movimento vai além de um mês específico.


“O Maio Amarelo é um período de intensificação daquilo que a gente deve pensar todos os dias, que é como preservar vidas no trânsito. Então nosso propósito aqui é reforçar essa consciência que deve existir a cada dia, e não só para o motorista, mas também para ciclista, motociclista e pedestres”, afirma.
Fiscalização e comportamento
Ao longo da manhã, representantes da Polícia Rodoviária Federal e da Arteris Fluminense foram os responsáveis por apresentar um panorama sobre segurança viária, comportamento dos condutores e investimentos em infraestrutura. O encontro também contou com a participação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Exército, Guarda Municipal, Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), secretaria municipal de Segurança Pública, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos, entre outros.
A programação incluiu ainda uma roda de conversa com o presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Artur Borges; Eduardo Lugão, instrutor e educador de trânsito do SEST SENAT; e com o vice-presidente do IMTT, Davi Bonates.
Entre os pontos centrais do debate esteve a educação no trânsito como ferramenta essencial, especialmente em uma cidade de grande extensão territorial como Campos. A Prefeitura de Campos, através do IMTT ampliou a cooperação com a Guarda Municipal e reforçou fiscalização nas ruas. Mas o coordenador de Trânsito da GCM, Anderson Batista, ressaltou que a fiscalização, sozinha, não consegue alcançar todos os pontos.
“Campos é uma cidade com uma extensão territorial muito grande, e a fiscalização não consegue atingir todos os pontos ao mesmo tempo. Então é muito importante a conscientização dos usuários da via, para que eles possam ter ações que vão garantir a própria segurança. Existem vários grupos de veículos e a gente percebe que a fiscalização atinge um objetivo diferente em cada grupo. Se observar os números de acidentes no nosso município, a maioria deles tem motocicletas envolvidas. Por isso que a gente tenta buscar uma maior conscientização para esse grupo de veículos que são usuários são mais vulneráveis, se for considerar em relação ao automóvel”, explica.
A avaliação da PRF é de que o maior desafio da segurança viária hoje está no comportamento dos condutores.
“O que sempre acaba tomando boa parte da nossa preocupação é essa questão de falta de respeito às regras de trânsito e do convívio em sociedade. Muitas vezes, a gente se depara com condutores negligentes que talvez falte algo além do preparo para conduzir ou de informações relacionadas a trânsito, mas também dessa questão de aprender a conviver em sociedade”, afirma Douglas de Abreu, chefe do Grupo de Fiscalização de Trânsito e Transporte da Polícia Rodoviária Federal em Campos.
“O trânsito não é só essa questão da qualidade como motorista, mas é também do que a fora do trânsito, de como é que está a família dele, se dormiu bem, se ele está com problemas externos, como está essa mente do condutor. Isso também impacta bastante”, completou.




“Epidemia silenciosa”
A discussão ganhou ainda mais peso com os dados apresentados pela Fundação Municipal de Saúde, responsável pela gestão do Hospital Ferreira Machado (HFM). O presidente da fundação, Artur Borges, classificou o cenário como uma “epidemia silenciosa”. Segundo ele, houve uma mudança no perfil das vítimas.


“Me parece até uma epidemia silenciosa. Antigamente, a maior parte dos acidentes eram acidentes automobilísticos. Mas hoje, existe um aumento exponencial do número de acidentes com motos e com bicicletas, principalmente elétricas. Isso tem se mostrado dentro dos nossos números, chegando a ter, no Ferreira Machado, nove pacientes de fratura exposta em apenas um dia. Acho que a abordagem vai ter que ser multidisciplinar, porque na verdade como é que eu impeço o paciente de chegar ao hospital? Ele já chega. O que eu posso mostrar hoje são nossos números e como isso tem impactado”, alertou.
Investimentos viários para reduzir riscos e gargalos
A concessionária Arteris Fluminense, responsável pela BR-101 no trecho que corta Campos, apresentou um pacote de obras que busca atacar gargalos antigos e reduzir conflitos viários.


O gerente de Obras, Landro Cruz, detalhou o investimento que prevê a duplicação de toda a BR-101 no trecho desde a entrada de São Francisco de Itabapoana até Ibitioca, além da incorporação da Avenida Estilac Leal ao traçado federal e a eliminação de gargalos históricos.
A previsão inclui ainda a construção de dez novas passarelas no município, também com a demolição das antigas estruturas em caracol, que hoje já não atendem às normas de acessibilidade.
“A ideia é que, nos próximos anos, o usuário consiga sair de Campos, começando da entrada de São Francisco até a chegada do Rio de Janeiro, em pista dupla. Também estão previstas dez novas passarelas no município, com a substituição das antigas estruturas em caracol, que não atendem à acessibilidade. Dessas dez passarelas, destaco ali próximo da favela da Linha, naquele trecho próximo do Partage, do Recanto das Palmeiras. Ali a gente vai até para a ideia de que seja retirado aquele semáforo com essa nova passarela”, explicou Landro.