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Parque Estadual da Lagoa do Açu pode virar ponto internacional para observar estrelas

Especialistas participaram de observação noturna na unidade de conservação e visualizaram as constelações de Óriun e Escorpião simultaneamente

Ciência
Por Leonardo Pedrosa
5 de maio de 2026 - 8h28
Divulgação/INEA

O Parque Estadual da Lagoa do Açu, unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), situada entre São João da Barra e Campos, recebeu na última semana, a visita dos cientistas Scott Roberts, fundador e presidente da Explore Scientific; Fernando Fabbiani, representante da DarkSky Uruguai; e do físico brasileiro e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), Marcelo de Oliveira Souza, que desenvolveu uma rota mais curta para chegar ao Planeta Marte.

A equipe participou de uma observação noturna na praia do Farolzinho, um atrativo da unidade de conservação.

Segundo o Inea, o parque apresenta um grande potencial para ser certificado como um Dark Sky Park (local de observação de céu escuro).

Graças a sua localização geográfica (está situado em uma planície), o parque proporciona aos observadores noturnos uma ampla visão do horizonte, o que contribui, por exemplo, para a visualização simultânea das constelações Óriun e Escorpião, uma condição rara, pois esses conjuntos estelares estão localizados em lados opostos no ambiente celeste.

Além disso, é uma região onde a escuridão natural da noite é ainda bem preservada o que contribui para a visualização das estrelas e planetas.

“Na Praia do Farolzinho é proibido o excesso de luz artificial. Seguindo a Portaria nº11 de 1995 do IBAMA, o parque prevê um regramento rigoroso sobre a adequação da iluminação pública dentro de seus limites. Isso porque a região é ponto de desova das tartarugas marinhas e a pouca luminosidade favorece esse espetáculo da natureza. Com uma iluminação menos poluente é possível observar planetas, constelações e estrelas, e com isso, pleitear a certificação junto a Dark Sky International”, destacou o gestor do Parque Estadual da Lagoa do Açu, Samir Mansur.

“Tive a oportunidade de visitar recentemente o Parque Estadual da Lagoa do Açu, em minha segunda visita em dois anos consecutivos, e fiquei muito bem impressionado com a qualidade do céu noturno. Trata-se de uma região que ainda mantém baixos níveis de poluição luminosa, permitindo a observação de um céu estrelado de alto valor científico, educativo e turístico. Além disso, em ambientes costeiros como este, a preservação da escuridão natural da noite é também uma questão ambiental relevante, já que a luz artificial pode impactar significativamente a fauna e os ciclos ecológicos. O parque apresenta um potencial muito interessante para iniciativas de proteção do céu noturno e para uma certificação internacional como Dark Sky Park”, disse Fernando Fabbiani.

Os cientistas que estiveram no Parque Estadual da Lagoa do Açu participaram do 18º Encontro Internacional de Astronomia e Astronáutica realizado em Campos. O evento foi promovido pelo Clube de Astronomia Louis Cruls em comemoração aos seus 30 anos de criação.

Poluição luminosa

A poluição luminosa é causada pelo excesso de luz artificial o que provoca uma desorientação nos animais e altera os ecossistemas, impactando no ciclo de reprodução e migração da fauna e na polinização por insetos.

Constelações

A constelação de Órion é uma das mais conhecidas é visível em ambos os hemisférios. Popularmente chamada de “O Caçador” ou gigante guerreiro, ela é facilmente reconhecível pelas “Três Marias” que formam seu cinturão. Serve como guia de navegação e é referência cultural em diversas mitologias.

A constelação de Escorpião (Scorpius) é uma das 88 constelações catalogadas, figurando como uma das mais antigas e distintas do zodíaco. Ela forma um padrão claro em formato de “S” com uma “cauda” e “ferrão”.

Com informações de ASCOM/INEA.