

O Projeto de Prevenção Ases promoveu nesta sexta-feira (27), no auditório do Hospital Dr. Beda, em Campos dos Goytacazes, um novo encontro de pacientes e profissionais de saúde. Dois especialistas fizeram palestras informativas acerca de prevenção de doenças e saúde mental. O médico geriatra, Paulo Marcelo Ribeiro da Silva, falou sobre “Saúde ativa na terceira idade”, título do livro de sua autoria. Já a psicóloga Alessandra Machado destacou o tema “Prevenção a saúde mental”. Ao fim de cada apresentação, o público, formado basicamente por idosos, teve a chance de fazer perguntas e esclarecer dúvidas.


Para o médico Gustavo Drumond, coordenador do Projeto de Prevenção Ases, é importante a abordagem multidisciplinar e a integração entre as especialidades médicas. “Falando da prevenção de saúde mental, o psicólogo junto com o geriatra, eu acho que é o diferencial do evento. Estes encontros vão até o fim do ano. A gente tenta manter a frequência mensal e a tendência é fazer o evento até o início de dezembro. Eu acho que a adesão tem sido boa. Hoje, por exemplo, com um dia de chuva, tivemos mais de 50 pessoas presentes. A gente fica muito feliz com a participação de todos”, comentou.
A primeira palestra do evento coube à psicóloga Alessandra Machado. Há mais de 14 anos ela participa do Projeto do Plano de Saúde Ases. Ela promoveu uma série de dinâmicas com o público em momentos de descontração e reflexão.


“A saúde mental está muito em voga. A gente vem de uma pandemia de Covid, e hoje há outra pandemia de questões ligadas à saúde mental. Tem aumentado o número de casos de pessoas com depressão, ansiedade acelerada. A gente precisa prevenir e tratar. Esse projeto do Ases é muito importante. Trabalho nele há 14 anos. Aqui há muitos idosos. Muitos sofrem de solidão. Há pacientes com filhos que não têm tempo, os netos, ninguém tem tempo. Muitas das vezes esses idosos ficam isolados dentro de casa. Às vezes, eles vão a médicos, todas as especialidades, para conversar. E aí a gente entende que esse espaço é aberto para que eles possam se expressar. E eles vivem uma vez na semana e ficam cheios. Então, é muito importante contribuir para isso. Para mim é muito gratificante contribuir para a saúde mental dessas pessoas”, diz Alessandra.


Dados da OMS
Há relatórios da Organização Mundial de Saúde que constataram o aumento de 25% dos casos de ansiedade após a pandemia. O número é considerado preocupante. “É bem alarmante, pois 25% não é pouco. Isto se reflete nos consultórios de psicologia. Aumentou muito os nossos pacientes e também para a psiquiatria por conta de uma doença. Eu espero que esse número diminua com o passar do tempo, que a gente possa ter mecanismo, que o poder público possa investir. A gente não tem asilo, por exemplo. É um lugar ruim? É, mas muitas das vezes é o único lugar porque há idosos que não têm família. A gente precisa do incentivo do poder público. No setor privado já acontece já, mas no público a gente precisa muito também”, avalia a psicóloga Alessandra Machado.


Prevenção na terceira idade
O geriatra Paulo Marcelo Ribeiro Silva proferiu palestra baseada no livro que escreveu. “Saúde ativa na terceira idade: dicas e orientações”, lançado há poucos meses em Campos dos Goytacazes. O médico deu, ainda, um testemunho pessoal sobre a vontade e o motivo de escrever a obra. Em 2019, ele passou por cirurgia cardíaca. Teve que mudar uma série de comportamentos para garantir mais saúde e qualidade de vida.


“O livro é como se fosse um manual para o idoso ter um envelhecimento de qualidade. Através de parâmetros na nossa experiência clínica, a gente vai trilhando e criando um tipo de manual para um envelhecimento mais saudável. Esse é o objetivo da palestra. As necessidades básicas para uma pessoa envelhecer com saúde têm a ver com atividade física constante, alimentação balanceada, fazer exames preventivos para conseguir detectar doenças mais comuns. Ter uma paz e um convívio social agradável ajudam muito. No meu consultório, ouço muitas reclamações de pessoas sobre dor, isolamento, solidão, depressão, ansiedade, tristezas. A medicina pode ajudar através de medicamentos e orientações de cuidados”, explica Paulo Marcelo.


Para as pessoas que não têm facilidade para fazer terapia ou pagar por consultas, a psicóloga Alessandra Machado faz algumas sugestões.
“Tem muita coisa em universidades públicas como a UFF e a Uenf, que promovem reuniões sobre isso depressão e ansiedade. Há alunos que precisam fazer estágio e eles dão o melhor de si, fazendo grupos, trabalhando psicológico, trabalhando tanta coisa. Assim, eu indico os meus pacientes para esses grupos. É gratuito. Há, ainda, atividade física na praça, caminhadas para quem consegue. Dá para fazer coisas gratuitas. A gente pode fazer exercício físico, alimentação saudável. É bom se envolver com essas coisas, procurar saber e se informar mais a respeito. Ajudam muito a saúde mental. Socializar é importante”, conclui.











