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Baianíssima: Kátia Guzzo, uma campista com Salvador aos seus pés

Há três décadas tem ancorado o jornalismo da TV Bahia, afiliada do Grupo Globo

Geral
Por Coluna do Balbi
8 de janeiro de 2018 - 0h01

katia_gO que essa baiana tem que difere das outras? Ela é campista. E talvez por isso aos nossos olhos ela é um luxo só. Cursou o científico no Liceu e passou no primeiro vestibular que fez para Comunicação Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Recebeu o canudo e não pensou em guerra. Não se sabe se algum Antônio lhe deu conselhos, mas ela foi para a Bahia, não para o sertão, onde a guerra dos Canudos foi relatada em estilo reportagem por Guimarães Rosa. Ela foi para a cidade da Bahia, ou seja, Salvador onde jogou a âncora. Na verdade ela há três décadas tem âncado o jornalismo da TV Bahia, afiliada do Grupo Globo. Acumula o cargo de Editora e apresentadora dos telejornais. Era a repórter preferida do então dono da emissora, o quando vivo, todo poderoso Antônio Carlos Magalhães. Kátia Guzzo, que veio passar o Natal e o Ano Novo na terrinha, como ela gosta de chamar, conhece personalidades baianas mais interessantes do que Antônio Carlos Guimarães.

É intima por exemplo, na nata da música bai ana como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Daniela Mercury, Ivete Sangalo e outros como Tom Zé, que poucos sabem que é baiano. Também foi íntima de alguns que já se foram como Dorival Caymmi, a mais completa tradução baiana, e o roqueiro Raul Seixas.

katia-e-gilberto-gil2Entrevistou atrizes de primeira grandeza, que não abrem a boca para qualquer uma, como foi o caso de Bibi Ferreira, assim como muitos outros. Na literatura poucos entrevistaram Jorge Amado, outro que já se foi.

Conhece cada um dos velhos Novos Baianos, mas também os de outras safras como o super ator Wagner Moura e Lázaro Ramos. Na verdade, de tanto entrevistar celebridade, ela acabou virando uma sem perceber.

Kátia Guzzo transita pelas ruas de Salvador sem problemas e abre o sorriso perfeito quando é abordada por fãs, o que é uma constante. Conta que com a Bahia foi amor à primeira vista, e que por isso nunca partiu e nem pretende. Nas últimas três décadas Kátia entrevistou pessoas que escolheram Salvador para morar, como por exemplo, Regina Casé, Juca Chaves e reza a lenda que teria entrevistado Vinícius de Moraes, que não só morou em Salvador mais teve um dos seus muitos casamentos por lá.

katia-cobertura-do-carnaval-de-salvadorNo curso disso tudo ela se empregnou de baianísse – exceto o sotaque e a preguiça no bom sentido. Como toda menina baiana tem um santo, um encanto, tem um jeito que Deus deu. Tem também a primazia que Deus dá. Quem ai já saboreou em primeira mão os quitutes de Dadá? Ela já. Quem já beijou a mão da mãe negra e da mãe branca da Bahia, a mãe Menininha e a irmã Dulce? Ela já.

Caetano Veloso compôs “Tigresa” para Sônia Braga, mas a música se encaixa perfeitamente nela. Poucas pessoas viram milagres como ela, que na Bahia não param de brotar, uma coisa que paira muito além da história, e que fala de Ojuobá, Xangô, Oxum, Lensã-ala e de Iemanjá.

Acontece que essa campista é baiana e tem um requebrado pro fado de Nossa Senhora e ela as vezes se pergunta porque veio tão de longe para amar esse lugar, como diria João Gilberto um outro baiano de alta patente. Decifrar Kátia Guzzo, não tente. Ele foi para Bahia cedo, mais de repente, e de forma recorrente dar o ar de sua graça na terrinha. É que lá em Salvador, de vez em quando sente falta daqui. É a dona da tabuleiro tanto do xadrez quanto do acarajé. Morena da cor do pecado, que aos 18 anos se encantou em um casamento em Campos o então presidente da Academia Brasileira de Letras, Austregésilo de Athayde, Kátia é discreta sobre a sua vida pessoal. Não se pergunta a uma mulher dessa quantos anos ela tem, até porque na Bahia se pergunta quantos carnavais a pessoa já viveu.

katia-e-bibi-ferreirakátia Guzzo perdeu a conta de quantos carnavais já cobriu para a TV Globo em Salvador. Subia em todos os trios e entrava em todos os camarotes, mas hoje confessa estar mais moderada e no carnaval funciona mais como editora do que como apresentadora, ou repórter.

De amor novo, o campista Jarbas com quem passou a virada do ano na Região, Kátia já retornou a Bahia, com as pilhas reabastecidas, ouse, eletrizante. Retornar a Campos, só no final do ano que vem, mas no carnaval Jarbas vai atrás porque atrás dessa elétrica moça só não vai quem já morreu.

maria-bethania