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Dois Brasis e o ódio – Tiago Abud

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Artigo
Por Redação
25 de outubro de 2026 - 0h01
Foto: Silvana Rust/Arquivo J3News

Tiago Abud – Articulista e Defensor Público – Hoje, quando caminharmos para as urnas, precisaremos lembrar dos dois projetos antagônicos em disputa. De um lado, menos Estado, apostando em tesouraço em várias frentes, com economia de dinheiro, o que resultará em menos serviços públicos à disposição das pessoas, tendo como exemplo a Argentina, 24ª economia do mundo. Em 2027, o Brasil será a 8ª economia do mundo, mas o nosso complexo de vira latas nos impõe buscar imitação nos argentinos. Espelha-se no que é pior e está abaixo de nós.  

De outro, um projeto que trouxe mudanças dos índices recebidos em 2022, com melhora significativa em vários indicadores, fortalecendo o Estado-social, que assegura serviços públicos e benefícios assistenciais aos mais pobres, o que equivale a não deixá-los morrer na miséria. 

 O Brasil hoje tem: rendimento médio real do trabalho 6% melhor que o valor anterior;  menor índice de desemprego em comparação a 2022; fuga do mapa da fome; melhora no índice de Geni, que mede a desigualdade; menor índice de insegurança alimentar; melhor Ideb desde 2005; IDH subiu e a expectativa de vida também; a taxa de mortes violentas intencionais caiu 12% se comparada a 2022; o PIB está em 9,9% acima do pico de 2023; o consumo das famílias aumentou; exportações, valor adicionado da agropecuária, varejo e serviços com alta; quase dez milhões de turistas estrangeiros chegaram no Brasil. 

Queremos melhorar? Sem dúvida. Mas mudar por mudar pode não atender as expectativas, sobretudo se consideramos o lembrete feito pelo editorial do jornal Estadão, em setembro de 2026, que apesar de ser linha conservadora, destacou: “Cada eleitor tem a liberdade assegurada pela Constituição para dar seu voto a qualquer candidato regularmente registrado na Justiça Eleitoral. Mas que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República.”

A despeito dos avisos, percebo que as escolhas no tema político não têm sido feitas de modo racional. Ao contrário, o que prevalece é o ódio ao opositor. O problema é que o sentimento cega e a sanha de aniquilar o inimigo pode trazer consequências seríssimas, até porque, ao desatar o pino da bomba, ela pode explodir no próprio colo, como consequência dessa irracionalidade. 

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