

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos (CDL), Fábio Paes, divulgou um vídeo nesta terça-feira (20) em que comenta dois temas considerados estratégicos para o município: os furtos e roubos registrados na cidade e a falta de voos comerciais no Aeroporto Bartolomeu Lisandro. Após participar de reuniões sobre os assuntos na segunda-feira (19) e terça, ele cobrou respostas do poder público e demonstrou insatisfação com os encaminhamentos discutidos. Vídeo.
Sobre a segurança pública, Fábio relatou ter participado de um encontro na sede do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), em Campos, com representantes das polícias Militar e Civil, da Guarda Municipal, da Prefeitura e do próprio Ministério Público. Segundo ele, foram apresentados diagnósticos e resultados das operações realizadas no município, mas a reunião também evidenciou, em sua avaliação, limitações da legislação para enfrentar os crimes.
“É muito difícil participar de uma reunião dessa e ouvir depoimentos de representantes da segurança pública dizendo que a lei limita certas ações em relação às pessoas que cometem esses delitos. Depois de tudo que ouvi e dessa sensação de insegurança e desordem na cidade, a percepção é que nós erramos muito com nossos representantes no Congresso Nacional, que são responsáveis por fazer as leis”, afirmou.
O dirigente defendeu mudanças na legislação e ponderou que a cobrança não deve se concentrar apenas nas polícias ou na Justiça. Para ele, os agentes públicos precisam atuar dentro das regras em vigor. Fábio também reconheceu o trabalho das forças de segurança e dos representantes municipais envolvidos nas ações, incluindo o programa Centro Mais Seguro e a Segurança Presente.
“Eles estão cumprindo a lei, e a lei impede, dá esse teto para eles. Estamos tentando construir uma solução para a questão de tantos roubos e furtos na nossa cidade, mas esbarramos nessa questão da legislação”, declarou.
Aeroporto sem voos comerciais
No segundo tema, Fábio criticou a ausência de um planejamento para a retomada dos voos comerciais no Aeroporto Bartolomeu Lisandro. Segundo ele, a reunião realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), com representantes do poder público, do Porto do Açu e de entidades empresariais, terminou com frustração diante da falta de estudos de viabilidade econômica apresentados pela concessionária Infra.
Campos está sem voos comerciais desde agosto de 2025, quando a Azul encerrou as operações no município. A retomada é discutida por representantes do poder público e do setor produtivo desde então.
“Estamos há um ano e sete meses sem voo para Campos ou de Campos para qualquer outro lugar. Saímos de uma reunião decepcionados porque essa empresa não tem um projeto, não tem um estudo sobre a viabilidade econômica dos voos comerciais para Campos”, disse Fábio.
O presidente da CDL pediu que a Prefeitura examine o contrato de concessão, verificando se as obrigações previstas estão sendo cumpridas. Caso sejam constatadas irregularidades, ele defende que o município avalie medidas contratuais, incluindo a possibilidade de cancelamento e realização de uma nova licitação.
“Fica um apelo para o prefeito e para as secretarias envolvidas: que a gente pegue esse contrato, olhe item por item e veja se está sendo cumprido. Se não estiver, que se avalie o cancelamento e uma nova licitação, porque Campos não pode ficar numa situação dessa”, afirmou.
Fábio também destacou os possíveis impactos da falta de voos para a atração de investimentos, eventos e turistas. Ele considera contraditório que um aeroporto que classifica como o terceiro maior do Estado permaneça sem transporte aéreo comercial regular.
“É vergonhoso uma cidade como a nossa ter um terceiro maior aeroporto do Estado e não ter voos comerciais. Como vamos atrair investimentos? Como vamos trazer eventos e pessoas interessadas em turismo? Não dá”, concluiu.
Sobre o pedido para que a Prefeitura de Campos examine o contrato e obrigações previstas, a redação entrou em contato com a assessoria de imprensa da gestão municipal e aguarda retorno.