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Celulares, redes sociais e o futuro da educação – Rodrigo Lira

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Artigo
Por Redação
26 de julho de 2026 - 0h01
Foto: Shutterstock

Rodrigo Lira – Doutor em política, professor e pesquisador do programa de doutorado em Planejamento Regional e Gestão de Cidades da Universidade Candido Mendes – Há quase 30 anos leciono no ensino superior. Ao longo desse período, acompanhei profundas transformações tecnológicas: a popularização da internet, a chegada dos smartphones e, mais recentemente, o avanço da inteligência artificial. Nenhuma delas, contudo, alterou tão intensamente o comportamento dos estudantes quanto as redes sociais. Não porque sejam, por si só, um problema, mas porque inauguraram uma nova realidade: a disputa permanente pela atenção. 

Hoje, o maior concorrente do professor já não é outro professor. São algoritmos sofisticados, desenvolvidos para manter crianças, adolescentes e adultos conectados pelo maior tempo possível. Enquanto educadores planejam aulas para despertar o interesse dos estudantes, plataformas digitais investem bilhões de dólares em mecanismos capazes de prender nossa atenção por meio de conteúdos personalizados, vídeos curtos e recompensas instantâneas. 

Nesse cenário, considero importantes os debates que vêm sendo conduzidos pelo deputado federal Renan Ferreirinha. Como relator da lei que restringiu o uso de celulares nas salas de aula da educação básica, contribuiu para uma medida que buscou resgatar um ambiente mais favorável à concentração, à convivência e à aprendizagem. Mais recentemente, apresentou o Projeto de Lei nº 330/2026, que propõe proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais. Independentemente do posicionamento de cada cidadão sobre essa proposta, trata-se de um debate legítimo, necessário e urgente. São iniciativas que colocam a educação, a saúde mental e o desenvolvimento de crianças e adolescentes no centro das discussões e que merecem ser valorizadas pela sociedade. 

Isso não significa que a tecnologia deva ser encarada como inimiga. Pelo contrário. Ela é uma ferramenta extraordinária quando utilizada com propósito. O desafio está em estabelecer limites e criar condições para que a tecnologia esteja a serviço da formação humana, e não que a formação humana fique subordinada aos interesses dos algoritmos. 

Esse debate também precisa alcançar as universidades. A autonomia dos estudantes não elimina os impactos da hiperconectividade sobre a concentração, a leitura aprofundada e a construção do pensamento crítico. As instituições de ensino terão de reinventar suas práticas para tornar a aprendizagem cada vez mais significativa. 

Durante muito tempo, acreditamos que o maior desafio da educação era ampliar o acesso ao conhecimento. Hoje, o conhecimento está disponível a poucos cliques de distância. O verdadeiro desafio passou a ser formar pessoas capazes de concentrar-se, refletir criticamente e transformar informação em conhecimento. O futuro da educação dependerá da nossa capacidade de colocar a tecnologia a serviço da aprendizagem — e não a aprendizagem a serviço dos algoritmos. 

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