

A interdição da Ponte Barcelos Martins, sobre o Rio Paraíba do Sul, continua impactando a rotina de moradores de Campos dos Goytacazes há quase dois meses. Desde o dia 28 de fevereiro, quando parte dos pilares e tabuleiros cedeu, o acesso está totalmente proibido, comprometendo a ligação entre a área central e o subdistrito de Guarus. Em março, foram realizadas vistorias com representantes da Prefeitura e do Estado para avaliar a estrutura, bem como a possibilidade de recuperação e obras.


Morador do Parque Corrientes, o aposentado Bento José afirma que utilizava a ponte quase todos os dias para se deslocar até Guarus. A travessia fazia parte de sua rotina, principalmente para momentos de lazer. “Eu vinha para relaxar um pouco, passear. Agora ficou mais difícil, porque aqui era o caminho mais perto”, contou. Com a interdição, ele passou a utilizar rotas alternativas, como a Ponte General Dutra, o que aumentou o tempo de deslocamento. Sem previsão de reabertura, Bento demonstra descrença: “Acho difícil voltar ainda este ano”.


Situação semelhante é vivida por Roni Rodrigues, monitor e morador de Guarus. Ele também dependia da ponte diariamente, seja para trabalhar ou realizar atividades cotidianas. “Usava todos os dias, de bicicleta ou a pé. Agora preciso dar uma volta maior pela outra ponte”, relatou. Segundo ele, a mudança trouxe transtornos, especialmente nos dias de trabalho. “Levo minhas coisas, meu almoço e faço um caminho mais longo. Tem sido difícil”, disse. Apesar das incertezas, Roni mantém a esperança de que a travessia seja restabelecida. “A gente tem que acreditar que volte o quanto antes”.
Para garantir o cumprimento da interdição, guardas municipais permanecem em ambos os acessos à ponte, em esquema de vigilância 24 horas. A presença constante das equipes busca impedir tentativas de travessia irregular, que colocam a segurança das pessoas em risco. Mesmo com a fiscalização, há registros de moradores tentando ultrapassar as barreiras e atravessar a estrutura a pé.
No início da interdição, a equipe do J3 flagrou um jovem desrespeitando o bloqueio e escalando a lateral da ponte. A cena evidenciou as condições precárias da estrutura, com sinais visíveis de ferrugem nas grades de proteção destinadas aos pedestres e pontos que demandam manutenção. De acordo com agentes que atuam no local, esse tipo de tentativa ainda ocorre, mas tem sido coibido.
Ligações e interdições
A Ponte Barcelos Martins marcou a história de Campos dos Goytacazes ao ser a primeira ligação entre as margens do Rio Paraíba do Sul, conectando o Centro a Guarus. Inaugurada em 5 de abril de 1873, a estrutura ficou conhecida inicialmente como “Ponte de Pau” ou “Ponte Municipal”, recebendo posteriormente o nome atual.
Em 2022, a ponte foi interditada pela Defesa Civil após a cheia do rio, que provocou forte pressão nos pilares e elevou o risco de desabamento. A estrutura, já antiga, era utilizada por pedestres, ciclistas, motociclistas e veículos oficiais. Historicamente, a ponte já havia sido fechada em outras enchentes e, há cerca de 20 anos, teve o tráfego de veículos de passeio proibido para preservar sua estrutura.
Em março, o então governador Cláudio Castro afirmou, durante visita a Campos, que a intervenção na ponte teria uma obra completa e de qualidade. Na mesma ocasião, o prefeito Wladimir Garotinho destacou que mais de 30 mil trabalhadores utilizam a travessia diariamente. Um gabinete de crise foi criado, e o início das obras segundo ele, dependeria da redução do nível e da força das águas do rio.
Em nota, a Secretaria Municipal de Defesa Civil informou que o Governo do Estado é o responsável pelas obras e pelas avaliações estruturais no local. “Ao longo do último mês, equipes técnicas vêm realizando testes para análise das condições da estrutura, incluindo sondagens para verificação da profundidade e situação dos pilares. A atuação da Defesa Civil Municipal tem sido dar apoio às equipes, com suporte operacional durante os trabalhos”, finaliza.