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Frederico Paes: desafios e projetos sob novo comando

Prefeito fala sobre royalties, novos investimentos e caminhos para transformar a economia

Entrevista
Por Aloysio Balbi
13 de abril de 2026 - 0h01
Foto: Josh

Filho de vereador, sobrinho de prefeito, Frederico Paes, engenheiro agrônomo de formação e gestor por natureza, sempre se esquivou nas faíscas da política, até que um dia aceitou compor uma chapa como vice-prefeito. Foi a fagulha para acender seu DNA político. Agora prefeito de Campos, a maior cidade do interior do Estado, ele não se esquiva dos grandes desafios.

Nesta entrevista, ele fala de sua primeira agenda, na semana passada, quando tratou da questão dos royalties do petróleo na condição de presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro). Falou do aumento da receita própria e de projetos que podem mudar a fisionomia econômica do município, como o complexo da Barra do Furado, um investimento privado de R$ 1 bilhão.

Falou também do incremento do agronegócio, da revitalização do Centro e do transporte público deficitário, mas preferiu encerrar com um mantra inerente ao seu trabalho junto com o ex-prefeito Wladimir: “cuidar de pessoas”.

O senhor assume o município no momento em que o Supremo Tribunal Federal volta a discutir a emenda que divide os royalties do petróleo para todo o país, o que prejudicaria de forma contundente os municípios e os estados produtores. Sua primeira agenda foi uma reunião na semana passada com o governador em exercício, Ricardo Couto, na condição de presidente da Ompreto, onde esse assunto foi discutido.  Qual é a expectativa?
Bem, a primeira notícia que chegou foi um impacto grande, porque uma possível redistribuição dos royalties seria fatal. O atual modelo se sustenta em uma liminar no Supremo Tribunal Federal, baseado em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade da emenda Ibsen Pinheiro, que prevê um modelo diferente de redistribuição. Colocamos para o governador em exercício que a inconstitucionalidade é simples de se constatar, porque está na Constituição, não é favor e sim direito dos municípios e estados produtores. Ressaltamos o impacto social e ambiental. Cito o exemplo de Macaé, que sofreu impactos sociais por causa da indústria do petróleo. Outros municípios produtores como Saquarema tiveram impactos ambientais. Então, nessa reunião com o governador em exercício, na presença de outros 14 prefeitos, mostramos essa preocupação e apresentamos estudos técnicos que ilustram bem esses impactos para embasar a nossa luta. Royalties são compensações por esses impactos e não vamos perdê-los.

Ainda sobre os royalties, a dependência em outros tempos era muito maior. Parece que na gestão que o senhor dá prosseguimento começou um processo de inversão para minimizar essa dependência com foco na chamada arrecadação própria. Pode falar sobre?
Quando nós entramos há 5 anos e 3 meses, Wladimir e eu, essa dependência era de 70%. Através de arrecadação própria, ou seja, estimulando a economia, começamos a diminuir essa dependência. Quando a gente fala em estimular, significa que trouxemos segurança jurídica e ambiente sadio de negócios no município, atraindo investidores que acreditaram no nosso trabalho. Eu sou empresário e sei que é preciso ter um ambiente seguro para investimentos e começamos assim a pavimentar esse novo caminho de investimentos no município, o que gera receita própria. Diversos empresários que nesse período investiram na região… fizeram aumentar nossa arrecadação própria e invertemos esse cenário. Essa dependência hoje gira em torno de 30%, 35% . E isso não significa dizer que a gente não precisa dos royalties. A gente precisa porque é direito nosso. Então foi muito promissor esse encontro com o governador, que é desembargador, presidente do Tribunal de Justiça e está atento a tudo isso. Estamos acompanhando esse processo bem de perto, inclusive com idas a Brasília.

O senhor entrou no jogo político e sempre teve esse DNA que vem de família, mas entrou com a marca do gestor. Neste contexto, o senhor tem uma preocupação grande com a geração de empregos e renda. Pode falar sobre isso?
Através da agricultura, nós tivemos, de 2021 para cá, mais de 15 mil postos de trabalhos criados. É importante colocar isso. Quando falamos em criação de postos de trabalho falamos com base nos dados oficiais. Para além da agricultura, nós pretendemos instalar em Campos as Zonas Especiais de Negócio, que visa trazer empresas para o complexo portuário do Porto do Açu, e também para o nosso Complexo da Barra do Furado, com pedra fundamental lançada por mim e por Wladimir. Barra do Furado terá investimento privado da ordem de R$ 1 bilhão, o que vai mudar a fisionomia econômica do município com reflexos diretos na empregabilidade, iniciando um processo de reindustrialização do município. Outras empresas virão a reboque e o suporte na prestação de serviços vai crescer. Neste contexto, vamos aumentar a arrecadação própria e zerar em breve essa dependência dos royalties, mas jamais abriremos mão deles porque é um direito nosso.

O senhor falou de mais indústrias, no município. Mas coincidentemente o senhor entrou na cena política pelo seu sucesso na agroindústria. Vamos falar do Agro?
Nosso agronegócio está caminhando mais forte do que nunca se comparar com cinco anos atrás. Por exemplo: uma das maiores empresas do país de investidores em eucalipto está fazendo uma revolução que logo será percebida. Essa empresa que está investindo, comprando terra e isso valorizou a nossa terra que estavam desvalorizadas. Temos também investimento na soja e no milho com tecnologia de ponta. Nossa bacia leiteira está sendo retomada através da Secretaria de Agricultura do município. Eu sou engenheiro agrônomo, tenho orgulho de ser da roça. A gente vai poder tornar a agricultura e a pecuária de Campos cada vez mais fortes sim.

O conceito de desenvolvimento regional tem ganhado força, com foco no crescimento integrado entre municípios vizinhos. Qual é a sua avaliação sobre esse movimento?
Temos duas entidades que eu considero que são muito fortes que é a Ompetro e também o Consórcio dos municípios. A Ompetro tem uma força gigante e o consórcio ganha musculatura. São duas ferramentas regionais importantes para o desenvolvimento regional. Esse tema deverá estar no topo da agenda não só minha, mas de todos os prefeitos. Os mais novos sabem pouco da fusão do antigo Estado de Guanabara com o antigo Estado do Rio. Na verdade, na prática mesmo, essa fusão não aconteceu, embora reconheça, por exemplo, o trabalho de governadores e cito o Cláudio Castro, que ajudou muito Campos com projetos como Bairro Legal, na recuperação dos hospitais, entre outras ações. Mas, por outro lado, ocorreram cortes no custeio da Saúde que machucou muito a saúde de Campos. Então, esse desenvolvimento regional tem que ser fortalecido para que a cultura da fusão realmente se consolide, pois o Estado não é somente a Região Metropolitana. As regiões Norte, Noroeste, Serrana e a Região dos Lagos devem se unir para mostrar a força do interior.

Prefeito, nesse arco do desenvolvimento de Campos, falamos da Zen, do Agro, mas existe a questão urbana e o ponto mais sensível é o Centro. Como inverter esse processo comum nas grandes cidades?
Aprendi com o Wladimir que o governo é uma contagem regressiva. Na área empresarial a gente olha para frente e se o caminho estiver errado, a gente retoma, mas a visão pública é outra e esse assunto é sensível para uma única resposta, envolvendo transporte coletivo entre outras coisas. Temos um grupo técnico que pensa o Centro de Campos em médio prazo. Temos aqui as nossas universidades, um verdadeiro banco de mentes e estamos pensando nisso. O caminho por experiência de outras cidades é a ocupação do Centro com moradias. Precisamos reinventar o Centro, que ficou ainda mais vazio depois da Covid, que fez crescer o comércio e serviços de bairro, e cito Goitacazes e Travessão como exemplos onde a atividade comercial foi potencializada. É preciso ter um transporte, sendo essa uma pauta sensível e desafiadora.

E existe um grande projeto que é economicamente caro, mas que está no banco de projetos do município. Falo da transferência da Feira do Mercado para a Praça da República. Dizem que seria um bom equipamento para a retomada do Centro. Isso está na pauta?
É um investimento pesado, não é um projeto pequeno. É um projeto que saiu do nosso gabinete. Demanda tempo e um grande investimento. Então é um projeto que requer maturação.

Prefeito, o senhor costuma usar a expressão “cuidar de pessoas”. Esse é o princípio central da sua gestão?
Aprendi isso com meu pai e minha mãe e isso se intensificou a partir do convívio com  Wladimir. Sempre cuidei de pessoas numa cooperativa, na Associação dos Plantadores de Cana, no hospital. Mas eu pude, através da oportunidade da política ao lado de Wladimir, cuidar da população no sentido mais amplo. Ah, eu cuido de 10 mil cooperados, eu cuido de 3 mil fornecedores, eu cuido de 400 crianças que nascem no hospital, eu cuido de 700 funcionários do hospital, eu cuido de 1.500 associados. Agora eu estou cuidando de 500 mil pessoas. E eu vou ser prefeito de toda população e não só dos 192 mil leitores.

Então as pessoas vão ser cuidadas.
Tenha certeza de que as pessoas vão ser cuidadas e nosso secretariado será cobrado para cuidar das pessoas.