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Fabrício Massote: cirurgia plástica em que bisturi é o pincel

Especialista ressalta que a arte vem ganhando mais espaço nos procedimentos estéticos

Entrevista
Por Aloysio Balbi
9 de março de 2026 - 0h01
Foto: Arquivo Pessoal

Fabrício Massote, cirurgião plástico que também opera sob pressão, sendo coordenador desse serviço no Ferreira Machado, fala nesta entrevista sobre estética, que também é sua especialidade. Apresenta uma visão bastante interessante sobre o novo conceito de cirurgia plástica, que exige um toque de arte do cirurgião, quando o bisturi se transforma em um pincel.

Massote fala da individualidade estética e da necessidade de ressaltar a beleza genuína de cada paciente em uma visão individualizada. Da primeira consulta, passando pela cirurgia, a alta médica pode durar meses, tamanho cuidado com a observação de um novo estilo de vida proporcionado pelo procedimento.

Vinte e cinco anos de formado, 16 de cirurgia prática, que foi sua escolha. Como  é ser cirurgião plástico em Campos? 
Olha, hoje, não só em Campos, mas qualquer área que trabalha com estética, existe uma grande preocupação, porque há uma invasão de profissionais não devidamente qualificados se aventurando nesta área de estética. Isso é uma grande preocupação porque acaba trazendo muitos riscos nos procedimentos que a gente chama de estética. Então, a cirurgia plástica, na verdade, é uma grande defensora de procedimentos sem abrir mão de segurança. Compete aos cirurgiões plásticos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estar em cada oportunidade como essa trazendo e resgatando a importância da escolha de um profissional bem qualificado. Campos, em particular, tem excelentes profissionais e posso garantir que não é necessário ninguém que esteja interessado num padrão de qualidade sair da cidade em busca dos grandes centros como o Rio de Janeiro ou São Paulo. Temos excelentes profissionais aqui na cidade que atendem todos os pré-requisitos de segurança.

Na sua clínica, você tem uma equipe quase que de apoio, cujo objetivo é atuar no pré e no pós-operatório, o que significa um atendimento diferenciado. Fale um pouco disso.
Sim, hoje eu tenho uns três grandes pilares. O primeiro pilar é o padrão de resultado. O segundo pilar o atendimento e o terceiro pilar é a segurança da qual eu nunca abro mão. E esse pilar de atendimento é um grande diferencial porque a equipe Massotte não tem o objetivo de ser a maior clínica da cidade e sim de trazer para perto um paciente de uma forma humana. Então, a gente dá todo o suporte ao paciente desde a primeira consulta até a alta dele, que eu considero alta com um ano de resultado. Temos uma estrutura com enfermeira particular que acompanha inclusive na casa dos pacientes para procedimentos como curativos. Eu tenho o meu celular que fica à disposição do paciente. É uma equipe treinada para um atendimento realmente de uma forma muito mais humana. Não é apenas a venda de um serviço. A pessoa vai ao consultório, tem a sensação de estar fazendo um investimento de transformação de vida no qual ela se sente segura desde a apresentação até a conclusão do pós-operatório.

A estética passou a ser um ponto muito necessário para a vida das pessoas? 
Sim, eu falo que a cirurgia plástica em si, ela é algo hoje transformador, que tem que ser vista não apenas como uma transformação física, e sim uma transformação na qualidade de vida. O paciente geralmente que realiza uma cirurgia plástica vai muito além de um corpo transformado. Ele busca resgatar a autoestima e isso tem que ser alinhado com práticas saudáveis do dia a dia. Fico muito feliz e orgulhoso de ver essa transformação nos pacientes. Uma paciente quando começa a correr, começa a se alimentar melhor, começa a se cuidar melhor após a transformação que a gente propõe. Essa pessoa melhora no trabalho, no relacionamento, tratamento com os filhos… Então, é algo que vai muito além da estética. Claro que temos que ter o bom senso para perceber que todo exagero pode ser considerado algo ruim. A gente tem que ter muito cuidado ao atender pessoas que olham para a estética como se fosse o fundamento da vida, como se a pessoa que não tem a cirurgia plástica não pudesse viver. É neste universo que a gente tem que buscar pela cirurgia plástica um padrão saudável para o paciente.

Qual é a maior demanda hoje no conceito geral de procedimento?  
Olha, pesquisas apontam que mundialmente as cirurgias plásticas mais procuradas são: a prótese de silicone, a mastopexia com a inclusão do silicone e a lipoaspiração. Existe uma grande procura, principalmente no público mais jovem. Eu atendo muitas pacientes na faixa dos 40 anos. A procura depende muito da faixa etária. Então, nesse público de seus 40 anos, a mamoplastia e a abdominoplastia são as mais procuradas. Após isso, temos as cirurgias da face, no geral. E no público um pouco mais novo, já entra a lipoaspiração e as próteses de silicone.

Eu sempre pergunto isso ao cirurgião plástico. Ainda tem aquelas pessoas que querem ter o narizinho do Pitanguy e a covinha do Kirk Douglas? 
As referências vão mudando conforme a faixa etária, mas é muito importante a gente identificar um conceito de beleza individual de cada paciente. É uma forma errônea quando a paciente referencia um traço característico de outra pessoa. Não necessariamente aquele traço vai ficar harmonioso com o traço da paciente. Então, é importante, eu sempre falo, a cirurgia proposta sendo plenamente individualizada conforme cada caso. O importante é a gente trazer de cada paciente aquilo de beleza dela que está escondido e não trazer aquilo de beleza alheia, evidenciada em outra pessoa. É importante que a gente possa dar essa orientação ao paciente para que ele entenda essa individualização e sua importância.

Você se formou no corre-corre da saúde, em operações de resgate e vamos botar aí um Hospital Souza Aguiar, no Rio, que é um hospital de emergência, como o Ferreira Machado aqui em Campos. Você foi forjado nessa área, e hoje você coordena este setor no Ferreira Machado, na cirurgia reparadora. Fale um pouco disso.
Tenho uma formação médica que foi muito ampla. Então, sempre convivi com essa medicina de salvamento, uma medicina de vida, de cirurgias de atropelados, acidentados, esfaqueados, e aos poucos, cirurgias bem complexas. Com o tempo, acabei indo para uma cirurgia plástica, mas nunca abandonei essa parte que é muito forte e aflorada na minha formação. Trabalho no Ferreira Machado há seis anos como coordenador do serviço de cirurgia plástica. A maioria dos pacientes sofreu queimaduras e traumas graves, principalmente motociclistas que têm lesões complexas nos membros inferiores, com exposição de osso, exposição de músculo e preciso, em conjunto com outras especialidades, como ortopedistas, fazer cirurgias reparadoras para que possa reconstruir a perna é fazer a cobertura óssea, de músculo… tudo isso está presente na minha vocação médica. Essa é uma área muito complexa e a demanda é muito grande.

Essa questão dos motociclistas é um problema de saúde pública no Brasil. Como está isso em Campos?  
Grande e preocupante. Não tenho dados estatísticos precisos agora, mas eu falo que numa enfermaria minha, é tipo 90%, 95% de casos envolvem vítimas de acidente de motociclistas geralmente não habilitados, não devidamente com vestuário e acessórios como o capacete, isso muitas vezes misturado com o alcoolismo. Realmente é um problema na saúde pública. São lesões difíceis, que exigem um tratamento muito longo e com outras equipes, como cirurgia vascular, ortopedia. Então, é um grande problema na saúde pública, principalmente aqui em Campos.

Voltando à cirurgia estética, dentro daquele conceito que você falou que a beleza é uma coisa, quase que uma impressão digital, mas que pode se aprimorar… às vezes você recusa, contra-indica a cirurgia? 
Existem casos em que é necessário. É comum eu, às vezes, falar que não é o momento da pessoa operar. Muitas vezes o paciente passa por alguma angústia psicológica, algum problema no casamento ou alguma baixa autoestima acentuada. Isso é perceptível quando a pessoa fala para mim que não consegue ir à praia, que precisa operar por um determinado motivo. Quando você faz aquele exame físico, vê que aquela queixa não é compatível com aquela intensidade. Que o corpo da pessoa é um corpo saudável, que ela tem um corpo bonito. Poder melhorar, sim. Então, quando você percebe num paciente uma angústia, um choro durante a consulta, a gente conclui que pode não ser o melhor momento para cirurgia plástica. Falo que a cirurgia plástica é um momento no qual tem que estar tudo estabilizado e não ser a solução do problema da vida do paciente, sendo um coadjuvante.

Você é casado com uma fisioterapeuta, que também tem essa preocupação de atualização permanente. Ela tem um estúdio de pilates clássico. Dá para você explicar o que é isso? 
É o único estúdio de pilates clássico na cidade. Tem se tornado cada vez mais comum o interesse pelo pilates clássico através da divulgação do trabalho que ela vem realizando aqui em Campos já há bastante tempo. O pilates muito conhecido popularmente ainda na cidade é o pilates contemporâneo. O pilates clássico é um pilates, na verdade, o inventor do pilates, é o Joseph Pilates, que foi realmente quem lançou esse tipo de exercícios. Então o pilates clássico segue realmente os fundamentos. É focado no modo de exercícios que realmente funciona.

A cirurgia plástica contemporânea, de momento, qual é a diferença dela com o início dessa especialidade no Brasil? 
A gente vem desenvolvendo muito a cirurgia plástica e a cada ano a gente vem inovando ainda mais, mas ao contrário do que acontece em outras áreas da nossa medicina, em que sempre a tecnologia vem ganhando espaço, o trabalho na cirurgia plástica vem se tornando cada vez mais artístico. A gente vem cada vez mais com técnicas, por exemplo, numa cirurgia de mama e de abdômen, fazendo os contornos com perfeição. Na abdominoplastia, as técnicas de umbigo, por exemplo, que é um grande referencial no meu pós-operatório. O umbigo era uma coisa muito estigmatizada quando nós víamos uma mulher numa praia após a cirurgia. O umbigo clássico de quem operou e hoje eu posso garantir que não ocorre mais. Os resultados na área glútea são relevantes mais pela técnica do que por equipamentos. A modelagem glútea, que tem sido cada vez mais frequente no meu consultório, é exemplo disso, com uma forma mais artesanal e esse é o verdadeiro avanço da cirurgia plástica. Técnica artesanal que vem ganhando proporções.

Você está me dizendo que nos dias de hoje, nas mãos de cirurgião, um bisturi passa a ser um pincel, mais ou menos isso? 
Sim, hoje o trabalho é muito mais artístico do que até pouco tempo atrás. As cirurgias eram uma coisa mais mecânica, você media no compasso, na régua, tudo, cortava e puxava. Hoje a gente já não aceita mais esse padrão de resultado cirúrgico apenas do ponto de vista do tecnicamente bem executado. Ele precisa ter o dom artístico em cada caso, todo caso, seja na mama, seja no abdômen, seja na face. Um resultado muito mais artístico.