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Eleições 2026: Oposição se movimenta por caminhos tortuosos

Falta de consenso em torno de um nome. Centrão em compasso de espera. Pontas soltas e movimentos desorganizados favorecem a reeleição Lula

Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
29 de janeiro de 2026 - 19h20

A oito meses e alguns dias do pleito presidencial, o Brasil intensifica o debate em torno da sucessão, algo que deveria estar começando agora, mas que teve início no primeiro dia de 2023 ou, melhor dizendo, no primeiro dia após a vitória de Lula da Silva.

Em detrimento do interesse do País, governo e oposição anteciparam a agenda eleitoral em quatro anos. Paciência! Coisa de terceiro mundo e que vem de longe. Vamos, então, à conjuntura que norteia a corrida ao Planalto.

Observações apenas com base em pesquisas quase sempre são de alto risco, visto que fotografa o hoje e… “amanhã vai ser outro dia”. Se grande fatia do eleitorado define e/ou muda o voto até quando se vê frente à urna, o que dizer 250 dias antes. Contudo, sugerem uma tendência.

Percentuais
Em janeiro, pesquisas da Genial Quaest e, mais recente, AtlasIntel, apontaram favoritismo de Lula no 1º turno contra todos os demais pré-candidatos. Mas não ‘fecharia’ a eleição em 4 de outubro, tendo que ir ao 2º, onde os percentuais são bem mais apertados.

Já o Instituto Apex/Futura, diferente do levantamento de outros, divulgou apanhado no último 22 com alguns cenários desfavoráveis a Lula. Entre as simulações, umas apontam derrota do presidente para Flávio Bolsonaro no 1° e 2º turnos — o que seria bem surpreendente —, bem como para Tarcísio de Freitas no 2º.

Indicativos
Pesquisas devem ser vistas com reservas. Por outro lado, alguns indicativos merecem atenção. 1) Nenhum dos três mandatos de Lula foi conquistado no 1º turno, sendo o de 2022 o mais apertado: apenas 1,8 % a mais que Bolsonda. 2) Como consequência do item 1, Lula tem um teto estreito: eleitorado fidelizado, mas que não avança além de certo ponto. 3) Paralelo à base fiel, Lula enfrenta a fatia antipetista, igualmente enraizada. 4) A rejeição em torno de 50% não recua e a desaprovação chegou a superar a casa dos 60%. 5) Em três anos, o governo não conseguiu enfrentar temas impactantes: Segurança, juros altos e inflação. 6) O número crescente de dependentes do Bolsa Família traz a desconfiança de que o benefício esteja sendo usado como moeda eleitoral.

Tabuleiro controverso, repleto de interrogações

Por ora, não há afirmação minimamente segura, prevalecendo a especulação. Contudo, a reeleição de Lula aparece como opção mais viável.

Não que o PT-governo tenha realizado, até agora, uma administração eficaz e colocado em prática políticas públicas de qualidade. Aliás, bem ao contrário. Todavia, a indicação de Flávio Bolsonaro como pré-candidato da direita patina entre o que é precipitado e o que não é consensual — o que pode ser um erro.

Como eleição não se ganha nem se perde por antecipação, nada impede que Flávio chegue bem posicionado no 1º turno e vença no 2º. Este seria um cenário possível, mas improvável.

Nas pesquisas, o filho de Bolsonaro aparece à frente de Tarcísio de Freitas. Só que o governador paulista não está em campanha e tem repetido de forma enfática que não é candidato e apoia Flávio.

Então, vejamos: Flávio não é Bolsonaro — que é (ou foi) um fenômeno eleitoral — mas está fora do jogo e experimenta altíssima rejeição. O senador também não é um nome, digamos, de expressão nacional. E igualmente pesa não ter o apoio irrestrito do Centrão, que reclama de Flávio não ter conjugado sua candidatura com outras siglas.

Tarcísio traria nomes do centro
Se o ex-presidente estiver apostando em Flávio apenas por ser filho, na expectativa de levar seu nome à frente, espécie de legado, comete o erro de querer favorecer a família em detrimento do que é eleitoralmente mais viável. Mas pode, também, ser apenas uma estratégia com data de validade.

Já Tarcísio de Freitas tem baixa rejeição, é governador do estado mais importante do Brasil e dono do maior colégio eleitoral. Não é um nome fincado no bolsonarismo — o que hoje é vantajoso —, não tem conotação de extrema direita, mas de centro-direita, e tampouco encarna o ‘político profissional’.

Centro
Em tese, Tarcísio seria o candidato capaz de unir os demais partidos de oposição e trazer para sua chapa políticos do Centro. Cabe destacar, conforme pesquisa Datafolha divulgada em fins de dezembro, 35% dos brasileiros se confessam como de direita, enquanto a esquerda soma 22% e o centro 17%.

Fica evidente que a maior fatia do eleitorado tende a um candidato de direita, mas sem o peso extremista de bolsonarismo. Com efeito, Tarcísio atrairia boa parte dos votos da direita e do centro, que somados teriam mais chance de vitória.

Considere-se, ainda, o perfil equilibrado de Michelle e seu bom relacionamento com Tarcísio. Já com os filhos de Bolsonaro a situação, vira e mexe, é tensa.