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Corpo do ex-prefeito de Campos Arnaldo Vianna é velado no Teatro Trianon

Amigos, familiares e diversas autoridades prestaram homenagens ao ex-prefeito de Campos e ex-deputado federal

Geral
Por Ocinei Trindade
19 de janeiro de 2026 - 13h20

Velório do ex-prefeito Arnaldo Vianna no Teatro Trianon reuniu diversas pessoas, amigos e autoridades (Fotos: Josh)

O velório do ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, Arnaldo Vianna, reuniu autoridades, amigos, familiares e moradores da cidade no hall do Teatro Municipal Trianon nesta segunda-feira (19). O político, que também foi deputado federal e médico neurologista, morreu aos 78 anos, no domingo (18). Sobre o caixão, duas bandeiras simbolizavam paixões pessoais e públicas: a do Flamengo e a do município de Campos dos Goytacazes. Uma missa de corpo presente marcou o momento de despedida, em meio a homenagens e forte comoção.

Filho do ex-prefeito, o deputado federal Caio Vianna afirmou que o momento não era de avaliações políticas, mas de luto.

“Não é um momento para se avaliar, é um momento para a gente estar de luto, porque o que Arnaldo foi para a cidade de Campos ninguém nunca vai conseguir apagar. Isso vai estar no coração de cada um, vai estar na memória de cada um”, disse. Segundo ele, o legado deixado pelo pai ultrapassa os cargos que ocupou. “O que meu pai fez não foi somente na política, foi na medicina, foi como um humanista, atendendo a todos com carinho, dando palavras de conforto em momentos difíceis. As pessoas reconhecem muito isso.”

Deputado federal Caio Vianna falou sobre o pai

Caio Vianna destacou ainda que, embora Arnaldo Vianna tenha sido prefeito e tenha construído uma trajetória política marcante, a dimensão humana é o que mais permanece. “Obviamente, pelo lado político, pela história de ter sido prefeito e tudo mais, mas eu tenho certeza de que, para a população, a marca que ele deixou foi muito maior”, afirmou. Emocionado, completou: “É difícil a gente encontrar uma palavra que pudesse descrever o que realmente ele foi. Qualquer palavra nunca chegaria à altura do que, de fato, meu pai representou para a sociedade campista. Não tenho a menor dúvida disso.”

Ao falar sobre os últimos meses de convivência com o pai, Caio Vianna relatou o longo período de internação. “Foram três meses de UTI. Três meses em que a gente passava uma semana achando que as coisas estavam melhorando e, na outra semana, pioravam”, contou. Ele fez questão de agradecer à equipe médica: “A equipe médica toda foi fantástica, todo mundo, o tempo inteiro, dando para o meu pai o melhor. Não temos absolutamente nada a não ser agradecer a toda a equipe da Menne.” Segundo o deputado, não houve falta de estrutura ou atendimento. “O hospital esteve equipado o tempo inteiro, não faltou nada para o meu pai.”

Caio também comentou questionamentos sobre o hospital ser conveniado. “Muitas pessoas perguntam por ser um hospital conveniado, mas o hospital estava com todo o atendimento. Todos amavam o meu pai ali dentro, todos o atenderam com muito carinho, com muito amor, dos enfermeiros aos médicos.” Ele concluiu a fala destacando o sentimento de despedida. “Infelizmente, a gente nunca quer deixar partir, mas Deus é quem sabe de todas as coisas, e a gente precisa aceitar. Se eu pudesse, eu queria meu pai aqui por mais 20, 30 anos. Não depende de mim.”

Wladimir fala do amigo Arnaldo Vianna

O prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, afirmou que Arnaldo Vianna é parte inseparável da história da cidade. “Tem pessoas que fazem parte da história. A própria vida da pessoa faz parte da história. Doutor Arnaldo é uma dessas pessoas.” Segundo ele, “a vida dele, os mandatos que ele teve, fazem parte da história da cidade. Então, a partida dele deixa uma lacuna.” O prefeito resumiu: “Mas é um bom homem.”

Prefeito Wladimir abraça Caio Vianna ao lado do corpo de Arnaldo Vianna

Wladimir destacou a forma como Arnaldo exerceu a vida pública. “Ele viveu a vida para ajudar as pessoas. Até pela formação de médico que ele tinha, ele exercia a política, assim como a medicina, para ajudar as pessoas.” O prefeito contou que acompanhava o estado de saúde do ex-prefeito. “Eu estava acompanhando passo a passo o dia a dia dele. Ele descansou.” E desejou conforto à família: “Que a família tenha conforto. Deus os abençoe.”

Ao falar da relação pessoal, Wladimir lembrou que Arnaldo nunca misturou conflitos políticos com relações humanas. “Mesmo nos momentos difíceis de brigas familiares dele com o meu pai, ele nunca misturou a relação comigo.” Segundo o prefeito, “ele tinha um carinho muito grande por mim, me ajudou muito em momentos em que eu ainda era jovem.” Para Wladimir, Arnaldo deve ser lembrado pela humanidade. “Muitos políticos são lembrados por obras importantes, mas, no caso do doutor Arnaldo, é mais do que obras. É pela relação pessoal que ele tinha com a cidade, com as pessoas, com as famílias.”

Prefeito Wladimir Garotinho

O prefeito anunciou ainda a intenção de uma homenagem permanente. “Eu vou pensar junto com o Caio uma maneira de homenagear o doutor Arnaldo em alguma grande obra no município, para ficar marcado, eternizado.” Durante o velório, um gesto simbólico chamou atenção. “Eu fiz questão também de colocar o broche do município de Campos, já que ele foi prefeito e merece as homenagens também.”

O político e o médico Arnaldo Vianna

O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, participou do velório e relembrou a relação pessoal e política com Arnaldo Vianna que foi seu vice quando governou Campos pela segunda vez. “Eu conheci o Arnaldo como médico. Ele era médico da minha mãe. Foi nessa condição que eu comecei a ter um relacionamento com ele, muito carinhoso”, disse. Segundo Garotinho, Arnaldo sempre se destacou no atendimento médico. “Ele sempre foi um médico muito atencioso, uma pessoa que olhava de um jeito especial para os seus pacientes. Minha mãe sempre teve por ele um carinho enorme.”

Ex-governador do Rio e ex-prefeito de Campos, Anthony Garotinho

Garotinho destacou ainda momentos importantes da trajetória política compartilhada. “Depois, ele esteve naquela luta para reabrir o Hospital Ferreira Machado. Depois, eu, pessoalmente, o escolhi para ser meu vice-prefeito.” Ele lembrou que, com o tempo, caminhos políticos se separaram, mas o vínculo pessoal permaneceu. “Depois dessas coisas da política, a gente andou para um lado, ele andou para o outro. Mas, há mais ou menos uns oito meses atrás, eu fui à casa dele e nós tomamos um café — eu, ele, Caio e Ilson, a esposa dele. Conversamos um monte, lembramos um monte de histórias, demos muita risada juntos.”

Para o ex-governador, o maior legado deixado por Arnaldo Vianna não está apenas nas obras. “Muito mais importante do que todas as obras que vão ficar é o jeito carinhoso que fica nas pessoas e não acaba.” Ele refletiu: “Eu pergunto: qual foi a obra que, por exemplo, Jesus fez? Física, nenhuma. Mas era o relacionamento, a fala, o carinho. Isso é o que fica no coração das pessoas.” Garotinho concluiu dizendo que a passagem de Arnaldo ocorre após um período difícil. “Às vezes, essa passagem dele agora seja até um pouco de alívio com o sofrimento pessoal que ele vinha atravessando.”

José Roberto Crespo do Sindicato dos Médicos

Representando o Sindicato dos Médicos de Campos, o médico José Roberto Crespo destacou a formação humanística de Arnaldo Vianna. “O Arnaldo sempre foi uma pessoa muito ligada aos movimentos sociais, à luta de classe, à luta pela melhoria da nossa cidade.” Segundo ele, essa postura se refletia na prática profissional. “Foi um médico com uma formação humanística muito grande.” Crespo lembrou a convivência profissional. “Trabalhei com ele há quase 20 anos no PU Saldanha Marinho. Dali, do PU, ele saiu para o envolvimento político.”

Para Crespo, Arnaldo deixa uma história marcante. “A gente conviveu muito na questão médica, mas também no início da carreira política dele. Acho que ele deixa uma história para Campos, uma história de luta, de dedicação, de desprendimento, e que vai ficar. Vai ficar sempre no coração de todo mundo que conviveu com isso.”

Despedida e comoção

A esposa de Arnaldo Vianna, dona Edilene Vianna, falou com emoção sobre o marido. “O Arnaldo deixou um legado muito bonito, um legado importante para a nossa cidade”, afirmou. Segundo ela, o ex-prefeito teve atuação decisiva em áreas essenciais. “Foi um homem que trouxe muitas coisas boas, principalmente para aquelas pessoas mais vulneráveis. Trouxe saúde para a nossa cidade, trouxe educação, lazer.” Edilene ressaltou ainda a atuação como neurologista. “Uma pessoa maravilhosa como neurologista, uma área da qual a nossa cidade hoje está carente.”

Edilene Vianna falou sobre o marido e político Arnaldo Vianna

Ela relembrou o trabalho intenso durante a pandemia. “Nós trabalhamos incansavelmente, principalmente na Covid. Não tinha médico, e nós trabalhamos sem parar.” Segundo Edilene, mesmo sem ter contraído a doença, Arnaldo não deixou de atender. “Graças a Deus, nós não tivemos essa doença, não pegamos esse vírus, mas não podíamos deixar a população desamparada, porque eles precisavam de médico.” Ela destacou o compromisso do marido. “Ele sempre ali, cumprindo as obrigações dele com a população.”

Missa de corpo presente

Edilene afirmou que a dedicação de Arnaldo não conhecia limites. “Ele não deixava de atender ninguém, por mais que estivesse sentindo alguma coisa que ele não falava. Ele não deixava de atender ninguém, nem aqui, nem em São João da Barra, nem em São Francisco.” Para ela, a perda é múltipla. “Isso agora vai fazer falta: do meu companheiro, meu companheiro de trabalho, meu companheiro de vida, meu companheiro de tudo.” E completou: “Ele atendia com amor, com dedicação. Era isso que as pessoas procuravam nele: o carisma, o acolhimento. Ele acolhia as pessoas. E isso vai fazer falta.”

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