O principal debate na sessão da Câmara de Campos desta terça-feira (25) girou em torno da solicitação feita pela vereadora Thamires Rangel (PMB), para realização de uma audiência pública sobre o transporte municipal. O pedido é condicionado ainda à presença do presidente do IMTT, Álvaro Oliveira, no plenário da Casa de Leis.
Após argumentações, discordâncias e por fim o consenso entre bancada independente, oposição e base do governo, a Câmara definiu que fará uma audiência para discutir o tema, no mês de junho.
“O meu pedido foi para que essa audiência fosse realizada, não estipulei uma data, justamente para que pudéssemos entrar em um consenso. Chegamos a um acordo, mais à frente do que eu gostaria. Mas, talvez seja o melhor mesmo. Queremos debater e entrar em discussões para ter melhorias em prol da população, não é acusar nem apontar o dedo para ninguém”, declarou a vereadora após a definição.
Inicialmente, a base do governo se posicionou contrária, com o vereador Diego Dias enfatizando que o presidente do IMTT está no cargo há apenas 30 dias. Ele pontuou ainda que os vereadores podem ir até à sede do IMTT para tirar quaisquer dúvidas, e que uma audiência deveria ser deixada para um outro momento.
Um dos poucos representantes da oposição na Casa, o vereador Maicon Cruz destacou que, em sua opinião, prorrogar a audiência seria prorrogar também o sofrimento das pessoas que necessitam do transporte.
“Seria bom que o presidente do IMTT viesse o quanto antes, para ouvir os anseios da população, que faz uso diário de um transporte público sucateado. A gente precisa ampliar o espaço de debate. O pedido de informação por escrito feito pela vereadora Thamires já não foi respondido, com a justificativa de que teria que passar pelo plenário da Casa. Agora, estão pedindo que a audiência seja prorrogada. Quando se faz isso, se prorroga também o sofrimento das pessoas que necessitam do transporte”, disse Maicon.
Também oposicionista, o vereador Dandinho de Rio Preto comentou que apesar da mudança recente no comando da pasta, a equipe técnica teria permanecido praticamente a mesma. Ele lembrou ainda que na semana passada, o prefeito Wladimir Garotinho afirmou que qualquer secretário estaria disponível para participar de audiência pública.
“Querem prorrogar, com a gente falando de um tema tão sensível, que tem trazido tantos problemas à nossa população. Ônibus com defeito, faltam itinerários, o transporte público está um caos. Semana passada o prefeito disse aqui claramente que todos os secretários estariam à disposição para participar de audiências públicas. E hoje tratam assim um tema tão sério para a nossa cidade”, comentou Dandinho.
Líder do governo na Câmara, o vereador Juninho Virgílio declarou que a realização da audiência é importantíssima, mas a bancada entende que esse não é momento. E que o melhor caminho era o entendimento para estipular um prazo maior.
“É importantíssimo termos essa audiência e ela vai acontecer. Mas precisamos esperar, porque não é tão simples assim. O Álvaro assumiu o IMTT, uma parte da equipe antiga ficou, outra não. Então, ele ainda está conversando com a equipe técnica para ter condições de vir à Casa debater. A democracia legislativa tem uma regra básica e inquestionável: quem tem maioria aprova e quem não tem, aceita a decisão. É assim que funciona. E a maioria, que é base de governo, entende que o momento não é esse. É um posicionamento nosso e que tem que ser respeitado”, explicou Juninho.
Diego Dias voltou a se pronunciar, ponderando que, pela relevância do tema, a base governista definiu o prazo para fixar a audiência, alinhando para que seja realizada em junho.
“É um tema extremamente sensível, que afeta toda a população. Tinha um requerimento com data em aberto. Hoje, o líder de governo entrou em contato com o presidente do IMTT e definimos um prazo para fixar essa audiência. Porque temos inúmeros temas delicados e precisamos dar respostas mais efetivas à população A gente está aqui com um compromisso com a população, de entender melhor o que vamos discutir, abrir o diálogo para ter a melhor resposta e solução. A população precisa disso e é dever nosso. Por isso, chegamos a esse consenso”, complementou Diego.