

A conquista do quarto mandato de presidente da República consagra Luiz Inácio Lula da Silva como o segundo maior líder popular da história político-eleitoral do Brasil — atrás apenas de Getúlio Vargas. Trata-se de constatação irrefutável, posto que espelha a verdade das urnas expressada pela soberania da vontade popular.
Não interessa como ou o porquê. Também não cabe questionar se o terceiro mandato do petista produziu avanços ou recuos para o País, bem como se as medidas anunciadas nas últimas semanas tiveram o escopo de vencer o pleito. Isso ficou para trás. A sentença vinda das urnas põe um ponto final e não deixa espaço para senões: “Todo poder emana do povo que o exerce através de representantes eleitos” — diz a Constituição.
O resultado não era o provável. Na véspera, em matéria postada neste espaço (sábado, 24, 15.59hs), disponível no arquivo do Site, lê-se: ‘… O presidente Lula pode virar a eleição e conquistar o quarto mandato? Claro que pode. Possível é — mas improvável.’
Assim, a surpresa baseia-se em duas observações. 1) Desde a redemocratização, há 4 décadas, em todos os pleitos, o vencedor do 1º turno ganhou a eleição: 2) As pesquisas de opinião, inclusive os institutos Gerp e Veritá — únicos que acertaram o resultado do primeiro turno — apontaram vitória de Flávio. (Também o Datafolha e Quaest divulgaram, na véspera do pleito, 51% a 49% para o candidato do PL).
Já o aspecto inconteste da vitória vem dos próprios números: O presidente Lula não venceu por meio ou um ponto de diferença, mas por 3,6%: 51,79% a 48,21% — bem mais que os 1,8% de 2022. Em outra ângulo determinante, Lula ampliou a vantagem no Nordeste e reduziu a diferença no Sudeste, particularmente em São Paulo e no Rio. Em MG, virou. Em votos a diferença foi de 4.430.191 milhões.
Numa eleição de caráter plebiscitário, o povo optou pela manutenção da atual administração do Palácio do Planalto — do governo federal — e rejeitou a mudança. Está feito o julgamento. Cabe, agora, torcer a apostar no futuro do Brasil, que tem grandes desafios pela frente.