

No dia 4 de outubro de 2026, mais de 158 milhões de brasileiros estarão aptos a votar nas eleições, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Serão definidos os mandatos para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual em todo o país. O estado do Rio de Janeiro possui 12,8 milhões de eleitores. Em Campos dos Goytacazes, são 370.237 votantes, com 53,8% de eleitoras e 46,1% de eleitores. Os números importam. As eleições são a maior manifestação da democracia. O futuro do Brasil começa a ser testado nas urnas outra vez.
Campos é um dos polos eleitorais do estado. Na sede da Justiça Eleitoral, dezenas de pessoas trabalham nos preparativos das urnas eletrônicas, inserindo nomes, números e partidos dos candidatos. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o estado do Rio conta com 165 zonas eleitorais, sendo 116 no interior e 49 na Capital, e 37.675 seções eleitorais. Em todo o RJ, serão utilizadas 41.450 urnas eletrônicas: 37.675 destinadas às seções eleitorais e outras 3.775 de contingência.


No primeiro turno do pleito, estima-se que mais de 150 mil pessoas atuarão como mesários, além de mais de 1.500 servidores da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro. Em Campos, serão 1.190 seções de votação, distribuídas em quatro zonas eleitorais.
No Brasil, o voto é obrigatório, mas facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas com 70 anos ou mais e analfabetos. Este ano, 141.301.540 de eleitores (89,01%) estão aptos a votar com identificação biométrica. O eleitor deve apresentar um documento oficial com foto para comprovar a identidade. São aceitos e-Título, para quem possui biometria cadastrada, carteira de identidade, identidade social, passaporte, certificado de reservista, carteira de trabalho, CNH e carteiras de categoria profissional reconhecidas por lei.




O TRE-RJ orienta os eleitores a consultarem o local de votação e a seção eleitoral antes de saírem de casa, através do site tre-rj.jus.br , pelo aplicativo e-Título ou pelo Disque TRE-RJ e pelo WhatsApp, ambos pelo telefone (21) 3436-9000.
“Também recomendamos que o eleitor leve uma colinha eleitoral, em papel, para consultar a ordem e os números das candidatas e dos candidatos. É importante lembrar que não é permitido levar o celular para a cabine de votação”, diz a assessoria do TRE.
Urnas eletrônicas
A reportagem do J3News acompanhou os profissionais que preparam as urnas eletrônicas para as eleições com os dados dos candidatos, no Polo Eleitoral de Campos. Cidades da região, como São João da Barra, são abastecidas com os equipamentos programados, verificados e supervisionados por especialistas, além de um juiz e um promotor da Justiça Eleitoral sempre presentes.


Sobre a preparação para as eleições, o juiz Vinícius dos Angeles, da 37ª Zona Eleitoral, destacou o trabalho conjunto de juízes, promotores e servidores da Justiça Eleitoral.
“A expectativa é de que as eleições sejam marcadas pela lisura, pela transparência e pelo trabalho contínuo de todos que integram a Justiça Eleitoral. Contamos com excelentes servidores e com a atuação firme e presente de todos os envolvidos. O grande benefício que a Justiça Eleitoral proporciona ao processo democrático é garantir que a escolha do eleitor seja refletida no resultado das eleições, com a fiscalização dos órgãos de controle, do Ministério Público e da Justiça Eleitoral”, afirma.
O juiz destacou os mecanismos de segurança das urnas eletrônicas, como o lacramento dos equipamentos e a garantia de que os dados são inseridos em sistemas zerados. Também ressaltou que os testes promovidos pelo TSE desafiam especialistas em tecnologia a tentar superar o sistema. “As urnas são um instrumento de democracia e igualdade, permitindo que eleitores de diferentes condições sociais exerçam o mesmo direito de escolha. A urna é um instrumento completamente honesto. Desonestas são as informações que são colocadas contra a urna”, diz.


Preparativos para o dia 4
A promotora da Justiça Eleitoral, Ludimila Rodrigues, explicou que o trabalho do Ministério Público também envolve a fiscalização das campanhas e o recebimento de denúncias sobre possíveis irregularidades. “Trabalhamos nesse aspecto prévio, fiscalizando e recebendo notícias sobre possíveis propagandas ou condutas irregulares, adotando as medidas necessárias, tanto no âmbito do Ministério Público quanto da Procuradoria Regional Eleitoral”, disse.
Sobre a expectativa para as eleições, a promotora destacou o compromisso de todos com a organização e fiscalização do pleito:
“A expectativa é de um trabalho desempenhado por toda essa equipe de forma muito séria, comprometida com a técnica e com o cumprimento da legislação eleitoral. Esperamos que candidatos, partidos e eleitores se comportem de forma a manifestar sua vontade livremente, sem comprometer a lisura e a legalidade do pleito. É importante garantir ao eleitor condições para exercer o voto sem pressão ou interferências. Custou muito à sociedade chegar ao ponto de poder exercer um voto livre. Por isso, esperamos que cada eleitor, com toda a privacidade garantida pela legislação eleitoral, possa exercer seu voto de forma consciente, refletindo sua vontade, suas convicções e aquilo que espera de melhor para o país”, considera.


Tensões e desânimo
Nas ruas de Campos, alguns eleitores foram entrevistados para saber o interesse pelas eleições deste ano. A polarização política é refletida direta ou indiretamente na escolha dos candidatos, sobretudo para a Presidência da República e o Governo do Rio de Janeiro. Os últimos escândalos e denúncias envolvendo fraudes financeiras, empresários, políticos de vários partidos e até membros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm deixado o eleitor brasileiro desconfiado e, de algum modo, pouco interessado em falar de eleições.
O aposentado Agassis Filho, de 80 anos, afirmou que deixou de votar aos 70, quando o voto passou a ser facultativo. Desiludido com a política, disse não acreditar mais nos candidatos e nas instituições. “Não pretendo votar em nenhum candidato, mas me preocupa a possibilidade de uma ditadura”, diz.


Simone Correia é cabeleireira. Disse que pretende votar, embora não esteja animada com as eleições. “Tenho desconfiança em relação aos políticos, principalmente pelas promessas que não são cumpridas”, comenta. Márcia Oliveira, moradora de Guarus, considerou importante escolher candidatos comprometidos com as necessidades da população. “Só não tenho certeza de que o voto seja capaz de transformar essa realidade”, resume.
O cientista político José Luis Vianna avaliou que a atual eleição tem características atípicas, destacando a ausência de campanhas de rua e a predominância das redes sociais:
“É surpreendente o silêncio das ruas. A eleição está se decidindo pelos grupos e guetos que se formaram nas redes sociais. Minha expectativa é que, se continuar esse empate técnico (para presidente), haja manifestações mais amplas e acirradas, com maior vibração tanto no sentido positivo quanto no negativo, com aumento da hostilidade. A crise envolvendo o STF está inserida em um contexto mais amplo de desgaste das democracias ocidentais e da judicialização da política. Existe um desencanto dos eleitores, provocado pelo desgaste da democracia representativa e pela desmoralização da política brasileira, pelo grau de corrupção que envolve diferentes setores”, analisa.


Esperança e otimismo
Apesar do cenário de tensões eleitorais e incertezas sobre o futuro do Brasil, o corretor Luiz Carlos Chicri considera o voto fundamental. “Independentemente do posicionamento ideológico, o cidadão deve expressar sua opinião nas urnas. Quem se abstém perde legitimidade para reclamar das decisões e dos rumos do país”, diz.


O protético Felipe Nunes votou pela primeira vez nas eleições municipais em 2024. Aos 21 anos, está confiante nas eleições majoritárias e votará para presidente, governador, senador e deputados estadual e federal no dia 4 de outubro. “Estou com uma expectativa mais alta para esta eleição, porque temos mais opções. É necessário que as pessoas compareçam às urnas. Eu acredito que votar é importante para todas as pessoas, principalmente para nós, jovens, porque temos o poder de decisão nas nossas mãos”, conclui.