

O nascimento de um bebê que precisa permanecer em uma UTI neonatal costuma ser acompanhado por medo, insegurança, culpa, ansiedade e incertezas. Nesse cenário, o cuidado não se limita ao recém-nascido. A família, especialmente a mãe, também precisa de acolhimento e acompanhamento. É nesse espaço que a psicologia hospitalar exerce um papel fundamental, atuando em conjunto com a equipe multiprofissional.
A importância desse trabalho é destaque no Centro Nicola Albano. A psicologia atua dentro da UTI neonatal e contribui para o bem-estar emocional das famílias, e para a construção do vínculo entre mãe e bebê.
A psicóloga e pesquisadora Glória Abreu, explica que, embora o bebê seja o centro da assistência neonatal, a família também precisa ser considerada paciente do ponto de vista emocional. Para ela, a escuta especializada ajuda a mãe a enfrentar os sentimentos provocados pela internação e a se aproximar do filho.
“Quando ela chega à UTI, chega cheia de medo, insegurança, culpa e incertezas. E aí a psicologia, na verdade, trabalha com a escuta. Isso ajuda essa mãe a vencer esse medo, exatamente para que ela possa fazer esse vínculo com o bebê”.
Segundo Glória, o contato afetivo é fundamental para o desenvolvimento emocional da criança. Ela destaca estudos do psicanalista e psiquiatra britânico John Bowlby sobre a importância do vínculo entre a criança e seu cuidador para a formação de uma relação de segurança e proteção.
“É importante que as pessoas saibam que o cérebro de um indivíduo está, na verdade, pronto para receber o amor, o apego e o afeto. Ele não está pronto para receber os bipes, as dores. E o maior amparo para essa dor que esse bebê sente é através do amparo materno.”
A psicóloga acompanha o trabalho desenvolvido no Centro Nicola Albano há 29 anos, praticamente desde os primeiros anos da instituição, que completou 31 anos. Ela conta que a atuação da psicologia tem sido construída gradualmente, a partir da percepção da necessidade de oferecer atenção também às famílias.
Pesquisa, tecnologia e afeto
A implantação da residência multiprofissional no Centro Nicola Albano também contribuiu para ampliar a atuação da área dentro da unidade. Atualmente, quatro residentes de psicologia participam da formação, sob coordenação e preceptoria da equipe. A psicóloga Layla Guzzo, que integra o Centro Nicola Albano desde 2020, fez parte da primeira turma do programa. “A gente trabalha essa relação, essa ponte entre pais, família e equipe”, comenta.
Para a psicóloga, a chegada inesperada de um bebê à UTI neonatal pode provocar uma intensa mistura de sentimentos. Layla defende que o acompanhamento psicológico possa começar ainda durante a gestação. “A preparação ajuda a mulher a enfrentar as mudanças provocadas pela chegada do filho e também situações inesperadas, como a necessidade de internação do recém-nascido. O ideal seria o acompanhamento desde a gestação, desde antes mesmo, para que essa mãe já vá se preparando para lidar com essa nova fase, esse novo momento da vida, que é o puerpério, que é a chegada de uma criança”, conclui.