

Em resumo, a publicação anterior abordou as crises em série que particularmente nas duas últimas décadas vêm sacolejando o Brasil, com ênfase para a distorção de finalidade de parlamentares e governantes que priorizam seus interesses próprios em detrimento da população.
O comportamento deformado de grande parte dos políticos resulta no descontrole econômico e na má qualidade dos serviços essenciais. Via de regra, a atenção está voltada para o próximo pleito, maquiada por discursos populistas. Infindáveis pesquisas de intenção de voto e campanhas antecipadas predominam num cenário fortemente marcado pela escassez de políticas públicas, desmandos e corrupção.
O escândalo do Banco Master — o mais recente na agenda de infortúnios do Brasil — a cada semana produz novos fatos, com aumento descomunal de personagens, instituições e grupos empresariais. O ora liquidado Master revelou-se não um banco, mas uma estrutura montada para roubar montantes milionários.
Ainda mais grave, afigura-se como eletroímã que bateu nos 4 cantos da república e não sabe o que mais poderá sair dessa Caixa de Pandora.
Daniel Vorcaro, o “banqueiro” dono do Master — cujos sinais externos mostra-se supostamente desprovido de qualquer senso de decência — desde o dia 4 de março estava preso na Penitenciária Federal de Brasília. Na quinta-feira (19), por autorização do ministro André Mendonça, foi transferido para a Polícia Federal. Vorcaro assinou acordo de confidencialidade, dando o pontapé inicial para delação premiada.


Se não for blefe, ou seja, poupar quem em tese poderá “ajudá-lo” em troca de silêncio, jogando aos leões os menos importantes, a delação Vorcaro poderá superar a “fim do mundo” — expressão cunhada no bojo da Lava Jato — ou vir a se transformar na verdadeira “fim do mundo”. Isso porque o caso Master, ao que parece, tem ramificações bem mais extensas do que, por exemplo, tiveram o Mensalão ou Petrolão. O suposto envolvimento de algum membro do STF deixa a questão tão mais inquietante quanto complexa.
Também não passa em branco o fato de Daniel Vorcaro ter logo partido para a delação, digamos assim, num período relativamente curto. Mas, a depender de sua condição psicológica… possibilidade de não aguentar passar período longo na prisão, é possível que o desespero tenha batido mais forte.
Afinal, estamos falando de um homem acostumado ao luxo extremo, às mansões, aos melhores hotéis do mundo, as festas nababescas, namoradas, iates, jatinhos… enfim, de um entorno diametralmente contrário à vida na prisão.
(* A próxima matéria encerra a análise do caso de Master, mostrando como afetou, direta ou indiretamente, as diferentes esferas públicas do Brasil e algumas das personalidades até agora linkados com o mais esse escândalo imposto ao Brasil).
Entre suspeitos,
investigados,
indiciados e
denunciados,
as ‘ligações
perigosas’ do
caso Master
atingem os
quatro cantos
do Brasil e
ainda podem
ir muito além
do que já foi
revelado
No âmbito
da finada
Lava Jato,
a delação de
diretores da
Odebrechet
foi apelidada
‘Fim do Mundo’.
Agora, a
anunciada
delação de
Vorcaro pode
ser, a ‘Fim do
Mundo’ mesmo