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A dor que comove: a crueldade do caso Orelha nos obriga a refletir como sociedade – Mariana Lontra Costa

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Artigo
Por Redação
8 de fevereiro de 2026 - 0h01

Mariana Lontra Costa – Presidente da OAB/Campos – O caso do cachorro Orelha não chocou apenas pelo desfecho, mas pelo que o antecedeu: um ato de crueldade. A violência praticada contra um animal indefeso atravessou o campo da notícia e atingiu algo mais profundo — a sensação de que falhamos enquanto sociedade na formação de valores básicos como respeito, empatia e responsabilidade.

A comoção coletiva não foi exagerada. Ela revela que, hoje, reconhecemos que a crueldade contra animais não é um fato isolado, mas um sinal de alerta. Onde há violência gratuita, há ausência de limites, de cuidado e de consciência sobre o outro. E isso não surge do nada.

Quando adolescentes protagonizam atos dessa natureza, a reflexão inevitavelmente se desloca para além deles. Qual é o papel dos pais? Onde entra a responsabilidade familiar na formação de seres humanos capazes de compreender que liberdade não se confunde com ausência de consequências?

Educar não é apenas prover sustento ou impor regras. É ensinar, pelo exemplo, que respeito não depende de vigilância, que a dignidade do outro — humano ou animal — importa, e que escolhas têm impacto. O Direito das Famílias, ao tratar de deveres parentais, não fala apenas de guarda ou alimentos, mas de responsabilidade ética e social.

O caso Orelha também evidencia os limites do Direito. A Justiça pode punir, mas não forma caráter. Pode responsabilizar, mas não substitui o papel da família na construção de valores. Nenhuma decisão judicial é capaz de reparar completamente uma violência que poderia ter sido evitada com educação emocional e senso de responsabilidade.

Talvez seja por isso que essa história tenha mobilizado tanto. Porque, mais do que indignação, ela nos convoca a uma pergunta incômoda: que tipo de adultos estamos formando e que sociedade estamos construindo a partir disso?

Existe urgência em resgatarmos o respeito como valor fundamental da convivência social.

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