

A corrida de rua se mantém na dianteira entre os esportes mais populares, mas além de um exercício aeróbico, a prática tem firmado um caminho aberto para a transformação pessoal, atuando tanto na parte física quanto na parte emocional. Pessoas comuns têm aprendido e reaprendido os passos para uma vida melhor com a corrida, e eventos como o J3 Run Fest servem como impulso para superar os limites do corpo e da mente.
O J3 Run Fest: Desafio das Pontes chega às ruas de Campos dos Goytacazes no dia 22 de março, com percursos de 5 e 10 quilômetros, além de modalidades para toda a família, incluindo crianças e pets. As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pelo site Ticket Sports até o dia 13 de fevereiro.


Reabilitação
Para a jornalista Geovana Barcelos, a corrida chegou como uma prescrição para um problema físico, mas se transformou em uma paixão vital. Ela relata que uma carga excessiva de trabalho a levou a desenvolver uma lesão. “Nesse período eu acabei não conseguindo me manter ativa, fiquei apenas na academia. Nisso eu desenvolvi uma calcificação no quadril e uma inflamação no músculo, que resultava em dores fortes na região do quadril e toda a perna, que me atrapalhavam a fazer movimentos simples”, conta. Após um intenso tratamento, veio a indicação médica para manter a musculação e acrescentar um esporte. “Logo após a liberação e indicação eu fiz diversas aulas experimentais, como: corrida, crossfit, futevôlei e beach tênis. Com isso acabei mergulhando no universo da corrida e me identificando”, diz.
A partir daí, o que era um complemento para a reabilitação se tornou um hábito para o bem-estar mental. “Correr é me conectar comigo mesma, com a preocupação em evolução, em não cair, em conseguir respirar e não morrer (risos). Eu digo sempre que é a sensação de morte mais prazerosa que existe. É um momento muito individual e onde você deixa todo o estresse de um dia cansativo”, define Geovana. Para ela, as corridas de rua são a materialização dessa superação. “A medalha é uma prova de que eu consegui me superar e que eu escolhi me priorizar”, completa.
A psicóloga clínica Laise França confirma de forma científica o prazer da corrida. “A prática da atividade física está diretamente ligada à regulação emocional. Hoje temos evidências robustas de que o exercício físico regular melhora sintomas de ansiedade, depressão e estresse, além de contribuir para a qualidade do sono, da atenção e da memória”, afirma. “A corrida, em especial, ativa a liberação de neurotransmissores e neuromoduladores como endorfina, dopamina, serotonina e endocanabinoides, substâncias associadas à sensação de bem-estar, prazer e redução da dor. Esse efeito é conhecido popularmente como runner’s high (o ‘barato da corrida’)”, detalha a psicóloga, que teve no efeito específico da corrida a ajuda em uma jornada de luto e superação.


Superação da mente e do corpo
Para Laise, a decisão de começar a correr veio de um momento de grande dor pessoal. “No segundo semestre de 2024, meu pai entrou em fase terminal de um câncer e faleceu em janeiro de 2025. Esse momento despertou em mim algo muito profundo: ‘Eu não quero isso para mim. Tudo o que estiver ao meu alcance para melhorar minha saúde e reduzir riscos, eu vou fazer’”. Foi aí que ela decidiu aprender a correr de vez. “O diferencial dessa vez foi a decisão consciente de respeitar o processo e trabalhar não só o corpo, mas também a mente”, reflete.
Mesmo com a mente em foco, o caminho para a corrida não deixou de ter obstáculos comuns a todos os iniciantes. “Houve muitas dificuldades. Dias de cansaço, preguiça, sono, insegurança, além do desconforto físico inicial”, lembra. Para vencer a mente, utilizou técnicas que recomenda a seus pacientes, como frases-mantra: “‘Não negocie com a preguiça, porque ela sempre vence’ e ‘Eu gosto de correr, só estou com sono’”. Ela também relata que outro fator decisivo foi a comunidade. “Estar inserida em um grupo, criar vínculos e treinar com pessoas que compartilham objetivos semelhantes aumenta muito a aderência ao hábito”.
Sobre o J3 Run Fest, ela comemora: “Participei da última edição e completei os 8 km. Na primeira edição, confesso que nem me inscrevi: eu não conseguiria correr nem os 3 km mínimos e senti vergonha. Hoje vejo isso como uma prova clara de que evolução vem com constância e persistência”, compartilha.


Transformação
A trajetória da influenciadora e empresária Eduarda Pinheiro também une a transformação física à mental. Ela conta que começou a correr motivada pela energia do próprio J3 Run Fest. “A partir da última edição do J3 Run Fest que fui prestigiar uns amigos, eu resolvi que iria começar a me dedicar à corrida pela energia que senti de perto!”. O início, no entanto, foi desafiador. “Eu pesava quase 100kg e não conseguia correr nem 30 segundos direto. Pensava muito em desistir, mas meu treinador me disse uma frase que ecoa na minha mente toda vez que o treino aperta: ‘todo campeão já pensou em desistir um dia’”, conta.
Assim como Laise, Eduarda, que é estudante de psicologia, destaca a luta em cada passo da prática. “A corrida tem sido um desafio principalmente mental. Hoje já eliminei mais de 20kg e participei da minha primeira corrida de 5km em São Paulo”, comemora. Para ela, a corrida é um processo de autoconhecimento. “Mentalmente, é quase terapêutica. Quando vou correr a minha mente desacelera e a ansiedade diminui. Além disso, correr me ensinou muito sobre constância e paciência”, pontua.
Linha de chegada
Eduarda condensa no pensamento o cerne das três histórias. “Hoje, eu entendo que cuidar do corpo é também cuidar da mente. A corrida não é só sobre perder peso ou melhorar desempenho, é sobre saúde integral. É sobre criar uma relação mais saudável comigo, com meus pensamentos e com a minha história. E, para mim, esse processo tem sido tão transformador quanto libertador”, afirma.