

Nos últimos dois anos, aumentou uma série de crimes cometidos em Campos dos Goytacazes. A estatística do Instituto de Segurança Pública (ISP), que abrange todo o Estado do Rio de Janeiro, revela que em 2025 houve elevação de diferentes ações criminosas em relação a 2024. Entre as maiores altas aparecem roubos de rua e a comércios; furto e roubo de celulares; roubo de veículos; apreensão de drogas sem autor; apreensão de adolescentes infratores; crimes de estupro e extorsão. O número de homicídios na cidade diminuiu no ano passado em relação a 2024. Entretanto, a sensação de insegurança se mantém. Autoridades e pesquisadores sobre violência divergem em relação às políticas de segurança pública.
Entre os destaques negativos do levantamento do ISP em Campos está o furto de celulares, que apresentou um salto de 57,9%, passando de 242 ocorrências em 2024 para 382 em 2025. O roubo de aparelho celular também cresceu de forma significativa, com aumento de 46,7%, subindo de 107 para 157 registros. Já o indicador estratégico de roubo de rua teve elevação de 9,8%, passando de 366 para 402 casos.


Dentro desse grupo, os chamados “outros furtos” também tiveram alta expressiva, com aumento de 17,1%, passando de 1.615 casos em 2024 para 1.891 em 2025. O total de roubos cresceu ainda mais proporcionalmente, com elevação de 22%, subindo de 537 para 655 registros. Quanto a estabelecimentos comerciais roubados em Campos, foram 38 casos em 2024 e 56 registros em 2025, com aumento de 47%.
O aumento expressivo de autos de apreensão de adolescentes por prática de ato infracional mais que dobrou no período, saindo de 96 para 216 registros, o que representa uma alta de 125%. Os registros de estupro também apresentaram aumento de 6,2%. Entre janeiro e dezembro de 2024, foram contabilizados 130 casos no município, número que subiu para 138 ocorrências no mesmo período de 2025.


Na área de entorpecentes, o levantamento aponta queda de 20,4% nas apreensões de drogas, que passaram de 2.618 em 2024 para 2.085 em 2025. Os registros de tráfico de drogas também diminuíram, com retração de 17,5%, saindo de 549 para 453 ocorrências. Houve crescimento expressivo das apreensões de drogas sem identificação de autor, que saltaram de 331 para 559 casos, um aumento de 68,9%. Outro indicador que apresentou crescimento foi o crime de extorsão. Foram 76 ocorrências registradas em 2024, número que subiu para 90 no ano seguinte, resultando em aumento de 18,4%.


Número de homicídios
A delegada e coordenadora do 6º Departamento de Polícia de Área (DPA), Natália Patrão, frisa também as atuações e dados das Regiões Integradas de Segurança Pública (RISP) e as Circunscrições Integradas de Segurança Pública (CISP). Ela destaca o número de homicídios como parâmetro mundial e acadêmico para medição de violência. Natalia considera 2025 como o melhor resultado de letalidade violenta de toda a série histórica em Campos desde 2003. “O ano passado teve o menor número de homicídios dos últimos 22 anos, com 109 mortes contabilizadas. Em 2003, o município somou 163 homicídios”, comenta.
O levantamento considera os registros das áreas correspondentes às CISP 134ª e 146ª Delegacias de Polícia Civil. Em 2025, a DP do Centro contabilizou 28 homicídios, enquanto a unidade de Guarus registrou 81 casos. “Se você comparar com o ano de 2024, houve 40. Então, a gente teve uma diminuição de 30%. Na 146ª DP, em 2025 foram 81. No ano de 2024, foram 84. Então, a gente teve uma diminuição de 4%. Campos, no total, em 2025, teve 109. Em 2024, 124, o que foi uma diminuição de 12%”, afirma Natalia Patrão.
Ao longo das últimas duas décadas, Campos chegou a enfrentar números mais elevados de letalidade violenta. O pico da violência foi registrado em 2016, com 281 homicídios, sendo 126 na área do DP central e 155 na DP de Guarus. Outros anos também apresentaram índices altos, como 2009 (240 mortes), 2013 (222) e 2018 (238).




Atuação da Segurança Pública
A delegada Natália destacou que a 8ª área do ISP, formada por Campos, São Fidélis, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, registrou em 2025 os melhores indicadores de segurança da série histórica. “Foi também o melhor índice de roubo de veículos desde 2007. Além disso, 2025 teve o segundo melhor desempenho em roubo de rua e roubo de carga desde 2003, e alcançou o maior número de prisões do período, indicando aumento de produtividade policial”.
A 6ª RISP representa toda a Região Integrada de Segurança Pública do Norte e Noroeste Fluminense, abrangendo 25 municípios, sob atuação conjunta do 6º DPA (Departamento de Polícia de Área) e do 6º CPA (Comando de Policiamento de Área). Segundo Natalia Patrão, 2025 apresentou os melhores resultados da série histórica. “Foi o menor índice de letalidade violenta desde 2003 e também o melhor desempenho em roubo de rua no mesmo período. O ano ainda teve o segundo melhor resultado em roubo de carga e roubo de veículos desde 2003, além de registrar o maior número de prisões da história, com 5.720, apontando recorde de produtividade policial na região”, comentou.
O pesquisador sobre segurança pública Roberto Uchôa tem trabalhos publicados pela Universidade Estadual do Norte Fluminense e Universidade de Coimbra, em Portugal. Para ele, no Rio de Janeiro a política de segurança pública privilegia ações midiáticas em vez de um trabalho voltado para melhorar a segurança da população.
“A análise dos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) revela um cenário de deterioração acentuada na segurança pública. O crescimento expressivo em crimes contra o patrimônio indica uma falha sistêmica no policiamento ostensivo e na capacidade de dissuasão. Chama a atenção a desconexão estatística: enquanto os crimes que afetam o cotidiano do cidadão disparam, os indicadores de produtividade policial em relação ao tráfico de drogas apresentam queda. Esse fenômeno é um sintoma claro de uma política de segurança pública que tem privilegiado ações de grande visibilidade e possíveis ganhos políticos imediatos, em detrimento de um planejamento estratégico voltado para resultados reais e sustentáveis para a sociedade”.


Sensação de insegurança
Em Campos, índices de violência no subdistrito de Guarus marcam as estatísticas policiais. No fim de dezembro de 2025 e em janeiro deste ano, bairros como Parque Prazeres e Santa Rosa se tornaram cenários de guerra entre facções criminosas que disputam o tráfico de drogas. Temendo represálias, moradores preferem se calar diante da escalada de violência.
Após a reportagem do J3News do dia 11 de janeiro sobre a violência em Guarus e diante dos dados do ISP que apontam aumento de crimes em 2025, a Polícia Militar informou que o 8º BPM tem reforçado o policiamento no Centro de Campos com operações voltadas ao combate a furtos e outros crimes patrimoniais. Entre as ações, estão a Operação Centro Seguro, em parceria com o Segurança Presente, para prevenir delitos em áreas de grande circulação, e a Operação Rota do Crack, que atua na região central e adjacências para reprimir o consumo e o tráfico de drogas. Segundo a PM, informações de inteligência indicam que usuários de crack estão entre os principais responsáveis pelo crescimento dos furtos na área.
A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro informou que acompanha os indicadores criminais do Instituto de Segurança Pública que orientam o planejamento das ações das forças de segurança em todo o estado, incluindo Campos. “No ano passado, a pasta realizou o I Congresso Interinstitucional de Segurança Pública. O encontro teve como objetivo fortalecer o enfrentamento à criminalidade. O Governo do Estado tem investido no fortalecimento da segurança pública, profissionais e aquisição de equipamentos modernos. A Sesp reforça que o trabalho é para preservar vidas, reduzir a criminalidade e fortalecer a segurança de Campos e de toda a população fluminense”, conclui a nota.