

O Brasil registrou, em 2025, uma redução nas mortes violentas intencionais pelo quinto ano consecutivo, seguindo uma tendência de queda iniciada em 2021. De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) até terça-feira (20), o país contabilizou 34.086 assassinatos ao longo do ano passado, o menor número da série histórica recente.
O volume representa uma diminuição de 11% em relação a 2024, quando foram notificadas 38.374 mortes. As informações têm como base o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que compila os boletins de ocorrência de todos os estados e do Distrito Federal. Os dados incluem homicídios dolosos (quando há intenção de matar), latrocínios (roubo seguido de morte), lesões corporais seguidas de morte e feminicídios.
Um dos destaques dos dados é o recuo da violência letal em todas as cinco regiões brasileiras. O Sul apresentou a maior queda percentual, com uma redução de 22% nos casos, seguido pelo Centro-Oeste (-18%), Norte (-11%), Nordeste (-10%) e Sudeste (-8%).
Entre os estados, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul lideram as estatísticas de redução. No sentido oposto, apenas três estados registraram aumento no número de mortes violentas no período: Tocantins, Rio Grande do Norte e Roraima.
Os números apresentados ainda são parciais, pois não incluem os dados de dezembro dos estados de São Paulo e Paraíba. No entanto, o Ministério da Justiça projeta que, mesmo com a atualização final, a tendência de queda se manterá acima dos 10%.
Apesar do cenário positivo na segurança pública geral, o relatório aponta um dado recorde referente à violência contra a mulher. O número de feminicídios foi na contramão da estatística nacional e atingiu um marco inédito em 2025, com 1.470 casos registrados — o maior patamar desde a tipificação do crime em 2015. O dado revela que, em média, quatro mulheres foram mortas por dia no Brasil motivadas por questões de gênero.
O Ministério da Justiça afirma ainda que a série histórica de quedas nas mortes violentas reflete tanto a estabilização de conflitos entre organizações criminosas quanto a integração de políticas de segurança pública entre a União e os governos estaduais.
Redução de assassinatos é tendência
Já são cinco anos consecutivos de redução nas mortes violentas, de 2021 a 2025, e uma queda acumulada de 25% desde 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19.
O recorde registrado na série histórica é de 2017, com mais de 60 mil assassinatos. Depois desse pico, os números caíram em 2018 e 2019, e voltaram a subir em 2020. Desde então, só houve quedas.
Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que houve mudanças nas dinâmicas das facções criminosas, sem tantas guerras por territórios.
“Foi um ano em que o crime organizado esteve, digamos assim, mais tranquilo em termos de briga do que anteriormente. Tem políticas públicas também. Estamos perto da eleição e algumas ações na segurança são tomadas. São todos fatores que podem explicar”, afirma.
Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), segue a linha de que a diminuição de enfrentamentos entre facções, com a definição de controles em determinados territórios, contribui para que haja menos assassinatos.
“Como regra geral, quedas de mortes intencionais são resultantes de arranjos de facções, milícias e grupos armados”, diz.
Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lembra que a tendência de queda vem desde antes da pandemia, com a exceção de 2020. Naquele ano, o aumento de assassinatos foi puxado pela região Nordeste.
“É uma tendência de queda que foi inaugurada em 2018 e, de lá para cá, só em um ano tivemos alta. É bom manter e sustentar a queda”, afirma.
Com informações do G1.