

O balanço do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) foi divulgado na última segunda-feira (19), e o resultado registrado pelos cursos de medicina da região Norte e Noroeste Fluminense foram aquém do esperado. De acordo com o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Saúde (MS), dos 351 cursos em todo o Brasil, 107 ficaram com notas não satisfatórias e devem sofrer sanções.
O Enamed foi criando pelo MEC em 2025, para substituir o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) na avaliação dos cursos de medicina.
No Norte e Noroeste Fluminense, os resultados não foram expressivos. Dentre 5 cursos, distribuídos em Campos, Itaperuna, Bom Jesus do Itabapoana e Macaé, apenas o curso da URFJ, em Macaé, teve uma nota satisfatória, marcando 4 pontos.
A Faculdade de Medicina de Campos (FMC), a Universidade Iguaçu (UNIG) e a Afya Centro Universitário, ambas em Itaperuna, e o Centro Universitário FAMESC, em Bom Jesus do Itabapoana, tiveram a nota 2, considerada insatisfatória e demandando sanções do MEC nos cursos. O estado do Rio de Janeiro não registrou notas máximas.
Com a nota 2, os cursos devem reduzir o número de vagas ofertadas nas próximas turmas, além de receber restrições ao Fies e outros programas federais.
Universidades questionam avaliações
A FMC publicou, nesta terça-feira (20), uma nota oficial que questiona a metodologia da avaliação.
“Uma avaliação única, teórica e padronizada não é capaz de mensurar, de forma integral, o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que compõem a formação médica. Competências clínicas, desempenho prático, postura ética, comunicação, trabalho em equipe, inserção no SUS e compromisso social são dimensões que não se esgotam em um exame dessa natureza, conforme o próprio desenho do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), que prevê avaliação multidimensional.”, diz a nota.
A Faculdade também ressalta que teve resultados de bom desempenho no Teste de Progresso Regional.
“Recentemente, a FMC participou do Teste de Progresso Regional (RJ/ES), instrumento longitudinal amplamente utilizado para monitorar a evolução do conhecimento ao longo da graduação. Os resultados obtidos demonstraram desempenho superior à média observada entre outras escolas médicas, em quase todas as áreas de concentração avaliadas, reforçando a consistência do projeto pedagógico, da matriz curricular e das estratégias de ensino-aprendizagem adotadas ao longo do curso”
Também pontuando a ausência de relação com a estrutura do curso, avaliada pelo MEC no ano passado.
“O resultado do ENAMED não guarda qualquer relação direta com a nota 5 obtida em 2025 pelo Curso de Medicina desta Instituição no processo de renovação de reconhecimento, conduzido nos termos do SINAES. A avaliação de cursos envolve análise ampla de projeto pedagógico, corpo docente, infraestrutura, gestão acadêmica, responsabilidade social e resultados institucionais, conforme estabelecido na Lei nº 10.861/2004”, adiciona.
Por fim, questiona a metodologia, os critérios e o uso das notas para sanções de cursos universitários.
Há questionamentos formais sobre a metodologia adotada, a definição de critérios após a aplicação da prova e, especialmente, sobre o uso dos resultados para fins sancionatórios, em potencial afronta aos princípios, finalidades e garantias previstos na Lei do SINAES (Lei nº 10.861/2004). Entidades civis representativas do ensino superior e diversas Instituições de Ensino Superior em todo o país vêm realizando análises técnicas e jurídicas dos resultados divulgados pelo MEC/INEP.
O Centro Universitário Afya, de Itaperuna, também divulgou nota sobre o Enamed:
A Afya acompanha com responsabilidade e transparência os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) divulgados na segunda-feira, 19 de janeiro, pelo Ministério da Educação (MEC).
Os resultados do Enamed foram inicialmente disponibilizados às instituições de ensino no mês de dezembro, por meio do sistema e-MEC, e indicavam que 70% das instituições da Afya haviam obtido conceitos entre 3 e 5. Esses dados permaneceram públicos no sistema até esta segunda-feira.
Ao longo do dia de ontem, diante de questionamentos de instituições de ensino sobre divergências nos números divulgados, especialmente no que se refere ao total de estudantes considerados proficientes, o MEC retirou os resultados do sistema.
Em esclarecimento oficial encaminhado às instituições participantes, o Inep informou que foi identificada uma inconsistência na base de insumos do sistema e-MEC. O órgão esclareceu ainda que a conferência dos dados poderá ser realizada pelas instituições por meio dos microdados do Enamed, disponibilizados em seu portal oficial.
A Afya segue realizando a análise técnica detalhada dos dados à luz dos esclarecimentos prestados pelo Inep e reforça que trata os indicadores de qualidade com seriedade e transparência, utilizando os processos avaliativos como instrumentos de aprimoramento contínuo. A instituição mantém seu compromisso com a melhoria permanente da formação médica e com uma comunicação responsável com a comunidade acadêmica, a sociedade e o mercado.
O J3News pediu uma nota para a UniFAMESC, de Bom Jesus do Itabapoana, e para a UNIG, de Itaperuna, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.