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Governantes miram passado; retomam hostilidades, guerras e populismo em pleno século 21

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Guilherme Belido Escreve
Por Guilherme Belido
19 de janeiro de 2026 - 17h12

Sem rodeios, o mundo está de ponta cabeça como não se via há muitas décadas. Do fim da 2ª Guerra, há 80 anos, seguida por ditaduras europeias, rebeliões e conflitos, bem como a escalada da Guerra Fria – a queda do Muro do Berlim, em fins dos anos 1980, demarcarcou que uma porta se fechava e uma janela de civilidade se abria.

A política desarmamentista previa um futuro de céu claro, onde os tempos de escuridão em busca da escuridão ficariam para trás. Não foi assim. E a investida de Putin contra o território da Ucrânia, em 2022, deixou claro que o Velho Mundo estava de volta ao século 21. Ato contínuo, em diferentes regiões do planeta emergiram ações extremistas, totalitárias e intervencionistas. O populismo – que sempre esteve presente – ganhou força.

Há pouco mais de 2 anos, os ataques do grupo Hamas a Israel – os mais mortais da História – e a resposta feroz de Tel Aviv, deram traços ainda mais fortes ao quadro de infortúnio generalizado dos tempos atuais.   

Sem entrar no mérito, considerando que a captura de Maduro deu os primeiros passos para livrar a Venezuela do narcotráfico e o povo da submissão imposta por um ditador, o fato é que o presidente Trump não teve qualquer cerimônia para invadir um país soberano e prender seu presidente.

Trump, que supostamente teria incentivado a invasão ao Capitólio alegando fraude nas eleições, saiu impune apesar de posicionamentos na época que pediam sua prisão. Por muito menos Nixon teve que renunciar em 1974. Contudo, no pleito seguinte, foi novamente eleito. Então, na prática, ‘pode tudo’.

Com falas arrogantes, apresenta os EUA como a polícia do mundo, repetindo que não precisa de ninguém e todos precisam da América. Bem entendido, não é a ‘Doutrina Monroe’ que está de volta. Formulada em 1823 pelo presidente James Monroe (A América para os americanos), os EUA tinham apenas 47 anos e nenhum poder bélico. Muito diferente de hoje, 203 anos depois. De fato, Trump vem se valendo do “Big Stick”, de Theodore Roosevelt, do início dos anos 1900: política do ‘grande porrete’ na cabeça de todos que confrontavam os EUA.

Rússia invade Ucrânia

Também não dá para negar a vocação expansionista da Rússia e o desejo de retomar os dias de glória da União Soviética. Daqui a pouco mais de um mês completa 4 anos que o presidente Vladimir Putin invadiu a Ucrânia por terra, ar e mar. O detalhe é que o povo russo aplaudiu a invasão.

Face ao imenso aparato bélico em comparação ao país vizinho, acreditou-se que em poucas semanas a guerra estaria terminada. Porém, a Ucrânia resistiu, resistiu e resistiu. Está impondo perdas aos russos, mas suas cidades, ruas e casas estão virando escombros.

É possível que o revés russo abra uma fenda na economia do país. Por outro lado, a Rússia tem capacidade para seguir assimilando perdas. Mas a defesa legítima do território ucrânio pode custar a própria existência da país.

Oriente Médio em chamas

Em outubro de 2023 Israel assistiu ao maior ataque desde que o Estado foi formado. O grupo Hamas lançou mísseis contra a capital Tel Aviv, matando mais de 1,5 mil civis e soldados e deixando milhares de feridos.

O próprio povo israelense culpou as forças armadas do país, que teriam negligenciado na defesa do território. Israel considerou os lançamentos como ataques covardes e o primeiro-ministro prometeu revidar em proporção assustadora.

E o fez. Soldados israelenses atacaram com toda força as populações da Faixa de Gaza, supostamente com ferocidade vingativa acima do aceitável. E continuaram. O conflito passou para o Líbano, Irã e outros países do Oriente Médio.

Portanto, também naquela parte do mundo, a atração do século XX por guerras e matanças voltou do ‘além túmulo’, feito fantasma, colocando abaixo as pautas da tolerância, da solidariedade e da paz entre os povos.

No Brasil, a política

Não temos guerras nem grandes conflitos internos. Da mesma forma, o Brasil não é a Venezuela ou uma republiqueta, sujeito a ser ameaçado ou intimidado. Por outro lado, sofre com uma política desgovernada como poucas vezes se viu. Tirando períodos de exceção, como a ditadura civil-militar de 1964, marcada por duas décadas de censura, perseguições, torturas e mortes – os dias de hoje revelam insegurança e descrédito.

A direita e a esquerda assumiram papel muito além de suas raízes ideológicas, respectivamente de pensamento conservador ou liberal. O Brasil dos últimos anos enfrenta a despolitização, o ódio, as narrativas mentirosas e o desacerto entre os poderes da República. Os juros corroem a economia e inflação empobrece a população.

Bolsonaro e Lula, como principais lideranças do Brasil, expressam o que de pior o País viu surgiu na política desde 1985, com a redemocratização. Evidente, não se considera Fernando Collor, cuja “liderança” não passou de um delirante vôo de galinha.

De certo, nenhum foi bom: Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro e, novamente, Lula. Exceção para Itamar e FHC.

Escândalos como o Banco Master espelham o Brasil onde as instituições estão fragilizadas. Lula abraça o populismo tal qual seu antecessor. Saiu da prisão e assumiu a Presidência; Bolsonaro saiu da Presidência e foi para a prisão.

(*O texto foi alterado para corrigir erros de digitação e outros publicados no jornal físico. Pelas incorreções, pede-se desculpas ao leitor)