

Com a chegada do verão e do período de férias escolares e profissionais, cresce o número de pessoas que deixam suas casas para viajar. No entanto, junto com o descanso e o lazer, surge uma preocupação recorrente: os cuidados com animais domésticos que permanecem nos lares. Em Campos dos Goytacazes, são frequentes os relatos de cães e gatos encontrados sozinhos por dias, sem assistência adequada, o que pode trazer sérios riscos à saúde e caracterizar crime de maus-tratos.
Mesmo em ausências curtas, deixar pets com água e comida insuficientes, confinados em ambientes quentes ou sem supervisão, pode configurar negligência. Desde 2020, com a alteração da legislação federal, os crimes de maus-tratos contra cães e gatos passaram a ser punidos com pena de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda do animal, podendo haver aumento da pena em caso de morte. A mudança está prevista na Lei nº 14.064/2020, que alterou a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98).
Defensora da causa animal em Campos, a aposentada Joseth Bravo, que participa de campanhas e grupos de apoio a animais abandonados ou vítimas de maus-tratos, alerta para a responsabilidade dos tutores durante viagens. Segundo ela, o ideal é nunca deixar os animais completamente sozinhos.


“Eu não gosto de deixar meus animais sozinhos quando vou à praia, nem no fim de semana. Quando não tem outra opção, procuro sempre deixar alguém de confiança para vir alimentar, trocar a água e passear com eles. Os cachorros sentem muita falta do passeio e do carinho. Hoje existem hotelzinhos para animais e também pet sitters, que fazem esse trabalho em casa. O importante é não deixá-los sem comida, sem água e sem cuidado, porque eles sentem a ausência e podem achar que foram abandonados”, destacou.


Além da questão emocional, os riscos à saúde dos animais aumentam consideravelmente nesta época do ano. A médica veterinária Camila Lourenço explica que o calor intenso e a ausência dos tutores podem provocar mudanças no comportamento e no apetite dos pets.
“Durante o verão, muitos animais comem menos, bebem mais água e ficam mais prostrados por causa do calor. É fundamental que haja um responsável por perto para observar se o animal está se alimentando bem e se comportando como de costume. Não adianta apenas deixar ração; é preciso acompanhar. Em alguns casos, é indicado oferecer alimentos mais úmidos, frutas geladas próprias para pets, sachês, patês ou até picolés feitos com esses alimentos, para estimular o apetite”, orientou.


A veterinária também chama atenção para a ansiedade por separação, comum quando o animal passa muitos dias longe do tutor. “Eles podem ficar mais ansiosos, apáticos e até desenvolver problemas de saúde. Câmeras de segurança ajudam na observação, mas não substituem a presença de um responsável. Caso o animal apresente comportamento fora do padrão, o ideal é levá-lo o quanto antes a uma consulta veterinária”, completou.
Para quem não dispõe de vizinhos ou familiares, Camila lembra que há profissionais especializados, como pet sitters, que vão até a residência para alimentar, limpar o ambiente e monitorar a saúde do animal, além de hotéis para pets. “Nestes casos, é fundamental manter a vacinação em dia, incluindo vacinas múltiplas (V8 ou V10), antirrábica, contra gripe e vermifugação, já que os animais ficam em contato com outros”, afirma a médica veterinária.
Mais cuidados nos dias quentes
O calor extremo também exige atenção especial. O médico veterinário Marcelo Maeda, responsável técnico pelo canil do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e da Unidade Básica de Saúde PET, reforça a importância de ambientes ventilados e adequados.
“Os tutores devem manter os locais bem arejados, com ventiladores ou ar-condicionado, evitando direcionar o vento diretamente para os animais. Pisos frios, caminhas elevadas, toalhas úmidas e tapetes gelados ajudam bastante. Para os gatos, superfícies altas e ventiladas são ideais”, explicou.


Maeda recomenda ainda deixar água fresca sempre disponível, escovar os pelos regularmente, oferecer refeições leves nos horários mais frescos do dia e evitar passeios nos períodos de maior calor. “O ideal é sair antes das 8h ou depois das 17h. O asfalto pode causar queimaduras nas patas. Levar água potável e evitar esforço físico intenso também é essencial. Para os cães, piscininhas rasas e banhos mornos ajudam a aliviar o calor”, orientou.


Os sinais de superaquecimento incluem ofegação excessiva, salivação intensa, gengivas avermelhadas ou pálidas, apatia, fraqueza, tremores, vômitos, diarreia e falta de apetite. Em situações mais graves, pode haver dificuldade respiratória, colapso ou convulsões, exigindo atendimento veterinário imediato.
A orientação dos especialistas é clara: viajar exige planejamento, e isso inclui garantir segurança, bem-estar e dignidade aos animais, evitando riscos à saúde e problemas com a lei.