

No último dia 24 de julho, o Moto Club de Campos celebrou 91 anos. Impressiona acompanhar a vitalidade e o empenho de seus integrantes em atividades coletivas e preservação de memórias históricas, iniciadas em 1932. Trata-se de um dos mais antigos clubes de motociclistas do Brasil. Isto se deve, também, claro, à paixão por motos que os associados mantêm viva e acesa todos os dias do ano. Sediados na Avenida Presidente Vargas, bairro do Caju, os motoclubistas adoram festas, como a realizada durante a semana que passou. Eles querem celebrar 100 anos de formação e viajar muito.
Atualmente, o Moto Club de Campos conta com 60 filiados. Carinhosamente apelidado por MCC, os motociclistas apaixonados tem um slogan próprio: “não adianta explicar, você não iria entender”. A frase é referente à prática frequente por aventuras sobre duas rodas pelas estradas do Brasil e do mundo. O empresário Lucas Vieira é um desses aficionados por motos:


“Eu acompanho o MCC há mais de 20 anos, mas entrei oficialmente para o grupo em 2022. Trata-se de uma irmandade. É um prazer estarmos juntos, curtirmos o que a gente gosta em comum. Falar sobre viajar de moto, só mesmo experimentando. Quem faz uso da moto é que entende como é pegar chuva ou sol, mas mantendo o prazer do percurso. É muito interessante. Temos um grupo muito bom. Nos últimos três dias de comemoração, de 27 a 29 de julho, arrecadamos alimentos em todo o evento. A cada 15 dias, nos reunimos para fazer ação social. Além de comida, arrecadamos roupas, cobertores para atender asilos e instituições carentes. A gente se diverte, mas também pensa no próximo”, revela.


O Moto Club de Campos em 91 anos de existência contou com 32 presidentes. O mais recente líder é o mecânico Carlos Maciel, empossado oficialmente no último dia 27 de julho. Para ele, este momento de confraternização reforça uma atividade muito importante na caminhada rumo aos 100 anos de criação do MCC. “Este clube significa uma família. A moto para mim é de suma importância. Promover eventos é uma forma de unir todos os simpatizantes por motocicletas e o público em geral. Viajo pouco, pois o dia a dia não permite muito. Vou a locais que cabem no meu orçamento, como Rio das Ostras, Cabo Frio”, conta.
Apesar de haver poucas mulheres no Moto Club de Campos, elas conseguem se destacar bastante nos encontros e eventos. A publicitária e professora Denancy Tavares é conhecida no MCC pelo apelido de “Galega”. Imponente, ela pilota um triciclo que chama a atenção de todos por onde passa. “Faço parte do grupo há quase uma década. Atualmente, temos sete sócias. Percorremos muitas estradas e eventos, dentro e fora do Estado do RJ. É uma satisfação muito grande fazer parte desse mundo motociclista. Eu tenho um triciclo chamado ‘Galegão’, inspirado no meu apelido”, brinca.
Viagens internacionais
O eletrotécnico aposentado Sérgio Côrtes subiu em uma motocicleta pela primeira vez quando tinha 10 anos de idade, logo que aprendeu a dirigir precocemente. Ele se dedica há 64 anos ao veículo. Atualmente, ele é mecânico de motocicletas. “Comecei cedo e não parei mais”, resume. Sua entrada no Moto Club de Campos aconteceu em 1967. Isto faz dele o mais antigo sócio do MCC em atividade.


Sérgio Cortes já percorreu, sobre duas rodas, todos os países continentais das três Américas (Norte, Central e Sul). Ele conta uma de suas viagens mais emocionantes nos Estados Unidos. “Fiz o trecho Miami–Alasca-Miami, com direito ao encontro de motociclistas de Sturgis, em Dakota do Sul, que é o maior do mundo. Como não pretendo parar de viajar, tenho que ficar arranjando destino que seja possível em questão de tempo e dinheiro. Estou pensando em um passeio por Portugal e Espanha. O MCC é parte integrante de mim”, finaliza.