×
Copyright 2024 - Desenvolvido por Hesea Tecnologia e Sistemas

João Vicente lança seu 12º livro

“O direito greco-romano em dimensões globais” discute a noção de legado do direito ocidental

Cultura
Por Gabriela Lessa
31 de janeiro de 2022 - 0h01
Professor, mestre em filosofia, ator e escritor João Vicente de Alvarenga (Foto: Silvana Rust)

O professor, mestre em filosofia, ator e escritor João Vicente de Alvarenga lança mais um livro no dia 12 de fevereiro, a partir das 19h, no Cowoking do Boulevard Shopping, em Campos dos Goytacazes. A obra “O direito greco-romano em dimensões globais” é o 12º livro lançado pelo escritor, que tem uma linha literária de cunho filosófico, religioso e histórico.

Segundo João Vicente, a questão exposta no livro discute a legitimidade da noção de que o direito ocidental tem um legado essencialmente romano.
“Não é bem assim. Tanto o direito grego arcaico quanto o direito romano arcaico foram fontes para formar o que é, hoje, o ordenamento jurídico do mundo ocidental. Mas porque o direito romano ficou em evidência e o direito grego não? O direito romano era uma cultura escrita; eles escreviam tudo. Já os gregos não, porque tinham uma cultura oral. Então muita coisa se perdeu entre os gregos”, explica.

De acordo com pesquisas realizadas pelo escritor, os estudiosos definem que, na base do que se chama direito romano, existe muito do direito grego. “Além disso, os gregos foram os primeiros a discutir essa velha questão de direito positivo e direito natural, o jusnaturalismo. Ou seja, o que é que vale mais? O direito natural ou o direito positivo feito pelos homens?”, questiona.

(Foto: Silvana Rust)

Todo o contexto do livro gira em torno dessa temática, que foi pensada após a conclusão do mestrado em filosofia feito por João Vicente. “Eu costumo dizer que a filosofia é a senha de acesso a qualquer tipo de conhecimento. Não há conhecimento que a filosofia ainda não tenha abordado. Você pode até não gostar, você pode até não estar afeito àquele conhecimento, mas ele existe. Então, sobre a questão do direito grego e do direito romano, surgiu assim. Eu sou muito chegado à cultura grega e pensei: ‘Não, eu vou ter que dizer que o direito romano tem cota também do direito grego. E foi aí que eu cheguei a esse título”, conta.

Sobre o lançamento e planejamentos futuros

O lançamento, que será realizado no Boulevard Shopping, seguirá todos os protocolos de segurança e prevenção a Covid-19. Aqueles que quiserem adquirir o livro podem participar do evento, que será aberto ao público. Ou podem entrar em contato com o escritor em sua rede social, procurando pelo usuário “João Vicente de Alvarenga”.

Segundo João Vicente, já existe um novo livro pronto, que precisa passar pela revisão e, posteriormente, impressão. “Vou lançar esse livro em junho, que se chama ‘Escrevemos quando as musas querem’, que traz a abordagem de que ‘não sou eu que quero escrever’. Há um pedido, uma demanda, que está para além de você mesmo. E quando essa demanda chega e não sai de perto de você, é a hora que você tem que escrever”, reflete.

Vida de escritor

O mestre em filosofia conta que o seu processo criativo é parcialmente intuitivo, já que vai descobrindo a linha de raciocínio durante as leituras de pesquisa. “Eu vou lendo despretensiosamente e refaço a leitura algumas vezes. A cada nova leitura, os pensamentos vão se encontrando e o raciocínio vai sendo formado. E assim vou construindo a escrita”, diz.

Além disso, sua rotina e construção literária possuem um cenário todo especial, já que o escritor não abre mão de ir todas as manhãs a uma cafeteria, onde a maioria dos seus livros nasceu e foram finalizados. “O ambiente me motiva! Sempre digo que, hoje, eu represento na vida real. Na verdade, ali, eu estou representando. Se eu não tenho espectador, eu não tenho ânimo para escrever. No café, eu tenho espectador. É um que passa, um que conversa, um que fala alguma coisa, que já bate com o que estou escrevendo. Cria uma dinâmica motivadora e motivacional”, afirma.

Ao todo, ele já escreveu 12 livros. O primeiro foi lançado em 1978, com título “Ato 5”, no qual dividiu a autoria com Orávio de Campos Soares, Amaro Prata Tavares, Artur Gomes e Antonio Roberto Kapi. “Esse nome era uma referência aos cinco autores e também ao ato institucional n° 5, de 1968, que estava completando 10 anos na época. Era um momento político, de repressão e de perda das liberdades, das garantias constitucionais. Então fizemos essa provocação”, lembra.

De todos os seus livros, João Vicente diz que o seu favorito é o de sua dissertação de mestrado. “O título que eu dei foi: ‘Se no princípio era o verbo, no final será o verbo também’. Esse livro foi de um rigor acadêmico. Eu precisei fazer o trabalho, apresentá-lo, defendê-lo. Eu defendi e tirei 10. Então, pelo meu esforço, dedicação e significado dessa escrita, eu elejo como o principal. É uma vitória!”, celebra.