

O Solar dos Airizes, um dos mais importantes patrimônios históricos de Campos, entra em uma nova etapa para tentar finalmente avançar na recuperação do imóvel. A Prefeitura abriu licitação para contratar a empresa que vai elaborar os projetos executivos necessários à futura restauração do casarão, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1940.
O valor estimado para a contratação é de R$ 342.890,29. A sessão da Concorrência Eletrônica nº 004/2026 está marcada para 29 de outubro. A empresa vencedora terá seis meses, a partir da ordem de serviço, para elaborar os projetos.


O trabalho não corresponde à restauração do prédio em si. De acordo com o edital, antes da obra definitiva, serão feitos levantamentos arquitetônicos, cadastrais, fotográficos e históricos, além de estudos sobre as condições da estrutura e dos materiais. A partir desse diagnóstico, serão definidos os projetos e as intervenções necessárias para preservar as características originais do imóvel.
A iniciativa ocorre enquanto medidas de proteção já são realizadas no local. Em agosto, a Prefeitura informou que iniciou a recuperação com limpeza da área e preparação para o escoramento da estrutura, que possui elementos metálicos e de madeira. O município também havia concluído, em janeiro de 2025, uma cobertura metálica de proteção, com 15 metros de altura e 50 metros de comprimento.


Caso de Justiça
A nova contratação também está relacionada a uma determinação judicial decorrente de audiência realizada em julho de 2025. A expectativa é que os projetos sirvam de base para a próxima fase: a restauração propriamente dita.
O Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Campos (Coppam) considera a iniciativa um avanço, mas alerta que ainda há um longo caminho. “É um avanço, mas muito ainda precisa ser feito. De fato o início das obras é animador, mas é um primeiro passo de uma obra muito, muito grande. Manter as características originais do imóvel e garantir a segurança é primordial”, afirmou o jornalista Cássio Peixoto, do conselho.


O Coppam também considera urgente a recuperação. “A recuperação do Solar passa por um sentimento de urgência e de prioridade do poder público. O projeto ainda está em andamento, o que começa agora é uma fase inicial que não pode parar. O acompanhamento [do Solar] é permanente, com visitas ao local, avaliação do andamento das obras e encontros para avaliar o projeto “,completou.
Construído no século XIX, o Solar possui dois pavimentos e cerca de 1.311,80 metros quadrados. O tombamento federal ocorreu em 1940 e o imóvel está inscrito no Livro de Belas Artes do Iphan.
Em nota, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que “aprovou dois projetos de intervenção emergencial para proteção do Solar dos Airizes submetidos pela Prefeitura Municipal Campos dos Goytacazes (RJ): um para instalação de uma sobrecobertura metálica, já realizada; e outro para instalação de escoramentos metálicos nas áreas interna e externa do imóvel, medida ainda não foi executada pelo solicitante”.