

O uso do Mounjaro, nome comercial da tirzepatida, voltou ao centro do debate público após a popularização do medicamento fora do ambiente clínico, impulsionada principalmente pelas redes sociais. Desenvolvido para o tratamento do diabetes tipo 2, o fármaco passou a ser utilizado de forma indiscriminada para emagrecimento estético, o que tem gerado um alerta global entre autoridades de saúde.
Segundo a Health Canada, a tirzepatida deve ser utilizada exclusivamente sob prescrição e acompanhamento médico, dentro das indicações aprovadas. A agência destaca que a banalização do uso pode provocar efeitos adversos importantes, como distúrbios gastrointestinais, perda de massa muscular e impactos metabólicos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também chama atenção para os riscos da medicalização excessiva do corpo e para o uso inadequado de medicamentos como resposta imediata a padrões estéticos irreais. Para a entidade, a disseminação desse tipo de prática compromete a saúde coletiva e alimenta um ciclo de desinformação.
No Brasil, o debate ganha contornos ainda mais sensíveis. Mesmo com regras claras de prescrição, o acesso irregular, a automedicação e a promoção irresponsável por influenciadores digitais têm transformado um tratamento sério em tendência de consumo. O tema ultrapassa a estética e se consolida como uma discussão urgente sobre ética, responsabilidade social e o papel de quem comunica para milhões de pessoas.