



“Uma orelha grande”. Foi o que respondeu o menino Arthur Vicente, de quatro anos, ao lado da mãe, Gabriela Carvalho, ao ser perguntado pela J3News TV se sabia o que era um orelhão. Até que caiu a ficha do pequeno quando a equipe de reportagem mostrou a ele o telefone público, conhecido popularmente no país como orelhão, em uma rua da Avenida Pelinca, em Campos. Em tempo, você certamente já ouviu ou pronunciou a expressão “A ficha caiu”. Mas, sabe de onde ela veio? Sim, justamente dos orelhões. Que estão chegando ao seu fim em definitivo por todo o Brasil.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou em janeiro que cerca de 38 mil aparelhos que permanecem espalhados pelo país, começaram a ser retirados das ruas neste primeiro mês do ano de 2026. De acordo com a Anatel, a prestadora de serviços Oi declarou em dezembro de 2025, a existência de sete orelhões instalados (ativos) em sete localidades de Campos. Eles ficam em: Campelo, Mata da Cruz, Ponta Grossa dos Fidalgos, São Luiz de Mutuca, São Martinho, Três Vendas e Sapucaia. Em cinco destes locais, os orelhões devem permanecer até 2028. O que chama atenção é o motivo: a falta de sinal ainda em locais mais afastados das áreas urbanas.
“Conforme os termos da adaptação da Oi, a empresa é obrigada a manter o funcionamento e a disponibilidade dos orelhões em apenas cinco localidades do município: Mata da Cruz, São Luiz de Mutuca, São Martinho, Sapucaia e Três Vendas. Essa obrigação perdura até 31/12/2028 ou até que essas localidades passem a contar com cobertura adequada de serviço de voz por outras plataformas”, diz a nota do órgão nacional.
Já em Ponta Grossa e Campelo, os telefones públicos podem ser desinstalados a qualquer momento, segundo a Anatel. “Os aparelhos podem ser desligados a qualquer momento ou a pedido, visto que essas localidades não constam como ativas para a obrigação de manutenção de telefones públicos pela Oi”, conclui a nota enviada ao J3.


O fim de uma era
Os telefones públicos, que ganharam as ruas do país batizados de orelhões, começaram a funcionar no país na década de 1970. Só na década de 1990 vieram os cartões. Nas primeiras duas décadas, as ligações eram feitas através da inserção de fichas, que eram objetos parecidos com moedas. Quando a ligação era completada, ouvia-se o barulho da ficha caindo dentro do aparelho. Daí o surgimento da expressão, “A ficha caiu”, hoje usada quando uma pessoa quer dizer que finalmente entendeu algo.
Hoje, não há mais cartões nem fichas em circulação. Mas ainda existem alguns telefones públicos em funcionamento. A equipe de reportagem do J3 visitou um deles, na localidade de Sapucaia, em Campos. A operação e a estrutura já não são mais as mesmas. Na grade externa da creche municipal, é possível encontrar o orelhão fixado. Por dentro, não mais aquelas teclas metálicas tradicionais e aquele telefone antigo. Mas sim, um aparelho daqueles feitos para ser usado como telefone fixo residencial, instalado na cabine. Nele, um papel fixado pela Oi ensina como fazer para ligar.


“Bom saber que ainda tem orelhão e que vai continuar por mais um tempo por aqui. Afinal, não se tem sinal de celular aqui. Todos tem que ter wi-fi em casa. Porque se não, a gente fica incomunicável. Então, o telefone público ainda ajuda bastante”, relata a comerciante Marinês Ferro.


O J3 também ouviu a população na área central da cidade, abordando o marco que será em 2026 o fim dos orelhões. “Usei muito. Na primeira vez, estava perdida e liguei para a minha irmã, a cobrar (quando o crédito é descontado de quem recebe a chamada), porque não tinha ficha. Notícia triste sobre esse fim, porque vai se perdendo uma história de gerações”, disse a pedagoga Tereza Cristina.