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Infraestrutura expõe tensão entre Estado e Município

Prefeito aponta risco de colapso na Beira-Valão e deputado cobra termo de cooperação

Geral
Por Leonardo Pedrosa
1 de fevereiro de 2026 - 0h04
Canal Campos-Macaé|Prefeitura critica planejamento de limpeza (Foto: Silvana Rust)

Uma cobrança pública feita pelo prefeito de Campos Wladimir Garotinho reacendeu, nos últimos dias, o embate político entre os governos municipal e estadual em torno da conservação das vias. O alvo da manifestação foi o deputado estadual Thiago Rangel e sua filha, Thamires Rangel, subsecretária estadual de Ambiente e Sustentabilidade. O Estado novamente é cobrado por obra na Estrada dos Ceramistas.

O episódio ganhou repercussão após o deputado publicar, nas redes sociais, uma agenda em Bom Jesus do Itabapoana, com ações do programa Limpa Rio Margens. Nos comentários da postagem, Wladimir alertou para o que ele considera risco de colapso da pista às margens dos canais Campos-Macaé, conhecido como Beira-Valão, e do Saco, no Parque Rodoviário.

“A pista ao lado dos canais vão ceder e desabar. Tudo isso porque as máquinas do Limpa Rio fizeram um péssimo serviço e ‘deixaram pra lá’ os danos e erosões causados. Os canais são de responsabilidade do INEA [Instituto Estadual do Ambiente] que é subordinado à Secretaria Estadual de Meio Ambiente, onde sua filha é subsecretária”, disse o prefeito.

“Em nome do povo de Campos e antes que aconteça uma tragédia, lhe faço esse pedido público. Já oficiamos dezenas de vezes e nada foi feito. Com as chuvas, a situação só piora a cada dia e uma tragédia está prestes a acontecer. Espero sua compreensão e atitude”, completou.

A manifestação foi reforçada por integrantes do primeiro escalão do governo municipal. A secretária de Turismo, Patrícia Cordeiro; o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca, Almy Júnior; e o secretário de Serviços Públicos, Diogo Dias, ampliaram o tom da crítica.

Em resposta, o deputado estadual Thiago Rangel ressaltou a necessidade de formalização de um termo de cooperação entre o município e o Estado para viabilizar as intervenções. “Nunca faltou, da minha parte, interesse em ajudar a minha cidade. O que falta, em algumas oportunidades, é a boa vontade da gestão municipal em aceitar ou mesmo responder às propostas apresentadas. Considero fundamental que seja oficialmente firmado um termo de cooperação do município para essas e outras demandas”, disse.
Thamires também foi citada, mas não se manifestou.

Prefeitura se vê prejudicada
Além dos canais, a gestão municipal cita que a demora na conclusão da Estrada dos Ceramistas tem impactado diretamente o tráfego. Segundo a Prefeitura, através de matéria encaminhada à imprensa, o atraso na obra faz com que veículos pesados, como carretas e bitrens, utilizem vias da cidade como rotas alternativas, o que acelera o desgaste do asfalto em avenidas como a Beira-Valão, no trecho entre as avenidas 28 de Março e Arthur Bernardes. Ainda segundo o Poder Público Municipal, a situação provoca retenções, aumenta os congestionamentos e eleva o risco de ocorrências, especialmente em áreas comerciais e residenciais.

Procurado pelo J3News, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) informou que as obras seguem em andamento, com serviços de drenagem concluídos e aplicação das camadas de asfalto ao longo dos 12km da rodovia. Segundo o órgão, o cronograma foi ajustado e a previsão de entrega é para o primeiro semestre de 2026, enquanto a via opera em sistema de “pare e siga”.