

Imaginem uma frota de 300 caminhões todos os dias em direção ao Rio de Janeiro, levando para capital o que é produzido em Campos? Isso ilustra bem a potencialidade econômica do parque cerâmico da Baixada de Campos, uns setores mais fortes da economia do município, que gera 3.500 empregos diretos em suas 119 unidades.
Isso representa uma produção de 6 milhões de tijolos/dia com um faturamento mensal de R$ 7 milhões, movimentando anualmente R$ 85 milhões. Além dos 3.500 empregos diretos, a estimativa é de que outros 1.200 empregos indiretos sejam gerados com caminhoneiros, descarregadores, oficinas, entre outros segmentos de mão de obra e de logística.
O presidente do Sindicado da Indústria Cerâmica de Campos, Paulo Roberto Souza Ribeiro, explica que mais de 83% desta produção é destinada à construção civil da região metropolitana do Rio de Janeiro, com um excedente destinado ao vizinho estado do Espírito Santo e ao mercado interno.
“A Baixada de Campista tem uma argila de qualidade diferenciada, o que é um selo de garantia dos nossos produtos. Para ilustrar bem isso que estou falando, basta lembrar que Itaboraí, bem próximo ao Rio, tem um parque cerâmico, mas mesmo com a distância, os tijolos de Campos têm a preferência do mercado da capital, que é altamente exigente”, disse o presidente do sindicato.
A Baixada em alta
Mesmo operando com uma capacidade ociosa de 40% em função da crise econômica, o parque cerâmico é a principal atividade econômica da Baixada Campista, gerando mais empregos e recursos do que a pecuária. Apesar da crise na construção civil, o setor está em franco desenvolvimento e investindo em tecnologia.
Hoje já são 20 cerâmicas operando com energia solar, encolhendo o custo de produção. José Roberto Souza Ribeiro acredita que até o final deste ano esse número de cerâmicas que utiliza energia solar salte para 40.
“O setor está sem dúvida alguma se modernizando, desde o uso de energia limpa até a sua linha de produção, investindo no treinamento de mão de obra, entre outros aspectos. Esse profissionalismo da nossa indústria que trabalha com uma argila rara disponível em nosso solo resulta em um certificado de qualidade bem disputado pelo mercado”, afirmou Paulo Roberto.
Espaço para crescer
Para o presidente do sindicato, o setor está preparado para a retomada do crescimento da construção civil, o que deverá acontecer no pós-pandemia. Lembrou que hoje as 119 indústrias operam com 60% de sua capacidade. “Isso significa que temos 40% de capacidade ociosa no parque fabril e poderemos rapidamente aumentar a produção para atender à demanda futura que certamente vira”, disse Paulo Roberto.
O fato de o distrito de Goitacazes, porta de entrada da Baixada Campista, ter hoje quatro agências bancárias é atribuído em parte à indústria da cerâmica. Toda essa movimentação de recursos do parque cerâmico fez crescer o comércio, não só de Goitacazes, mas de outras áreas da Baixada.
O maior empregador
Até a década de 1980 o segmento que mais empregava na Baixada Campista era o da agroindústria, com os fornos e moendas das usinas de cana-de-açúcar operando em pleno vapor. Com a crise neste setor da agroindústria, fecharam as usinas Baixa Grande, Paraíso e também a São José, que depois foi arrendada pela Coagro, mas que há quatro anos mudou-se para Sapucaia.
“Vamos continuar com essa disposição de investir forte em tecnologia. Nosso setor é unido, tem um sindicato forte e trabalhamos em conjunto. Crescemos de forma horizontal e, desta forma, mantemos o padrão e a qualidade dos produtos de todas as 119 indústrias” concluiu Paulo Roberto.
Números do setor
Cerâmicas: 119
Produção: 6 milhões de tijolos/dia
Faturamento/ mês: R$ 7 milhões
Faturamento/ano: R$ 85 milhões
Empregos diretos: 3.500
Empregos indiretos: 1.200
Transportes: 300 caminhões/dia