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Próstata: cirurgias a laser e robótica ampliam opções de tratamento

Urologista José Nogueira explica a importância do diagnóstico precoce e os avanços nos procedimentos cirúrgicos

J3 Saúde
Por Monique Vasconcelos
18 de outubro de 2026 - 0h08
Dr. José Nogueira (Foto: Josh)

O crescimento benigno da próstata e o câncer são condições que exigem atenção à saúde masculina, especialmente com o avanço da idade. O acompanhamento urológico permite identificar alterações e avaliar as opções de tratamento.

Segundo o urologista José Nogueira, essas duas doenças se desenvolvem em regiões diferentes: o câncer na área externa e o crescimento benigno na parte interna da próstata. “As queixas dos pacientes relacionadas ao crescimento benigno incluem jato urinário lento, urgência miccional, esforço para urinar e sensação de bexiga não completamente esvaziada. Em casos mais graves, pode ocorrer retenção de urina, exigindo a colocação de uma sonda”, explica.

“Tanto o crescimento da próstata quanto o câncer começam a surgir a partir dos 45 anos e o risco aumenta conforme o homem envelhece”, esclarece o médico. A avaliação preventiva deve considerar fatores de risco e incluir exames como PSA e toque retal, conforme orientação médica.

O especialista também alerta para a negligência dos sintomas urinários. “Isso de certa forma pode ser explicado pelo uso de medicamentos que aliviam os sintomas, porém não resolvem o processo obstrutivo. São paliativos e acabam retardando o tratamento definitivo. Percebo que os sintomas urinários são negligenciados pelo paciente e por muitos médicos, encarando como ‘normal’ para a idade”.

“Todos ficam muito preocupados com a próstata, mas se esquecem de que o órgão que mais sofre é a bexiga, pois ela tenta vencer essa obstrução fazendo cada vez mais força. Com o tempo, a bexiga desenvolve mudanças que vão levar aos sintomas, e, ao final, o músculo pode entrar em falência e parar de funcionar”, diz o urologista.

Avanços cirúrgicos
Entre as opções para tratar o crescimento benigno está o HoLEP, procedimento realizado pela uretra com laser de holmium, que remove o tecido responsável pela obstrução urinária. A técnica  proporciona menor sangramento e recuperação mais rápida , com alta dia seguinte sem sonda , na grande maioria dos casos. “Isso até pouco tempo atrás era feito somente pela via convencional (cirurgia aberta) ou pela raspagem da próstata (tem objetivo de ampliar a passagem da urina pelo canal). São cirurgias que ainda podem ser realizadas. Porém, mais recentemente, houve uma inovação tecnológica, possibilitando realizar as cirurgias com uso do laser, que permite a remoção completa do tecido que obstrui a passagem da urina, sendo realizada pela uretra”.

“O laser tem bom poder de coagular os vasos sanguíneos, provocando menor sangramento. Além disso, a desobstrução completa conseguida confere ao procedimento uma durabilidade. Atualmente, utilizamos aparelhos mais finos na uretra, o que minimiza a chance de trauma na uretra , diminuindo risco de estenose. Na maioria das vezes, conseguimos dar alta ao paciente no dia seguinte à cirurgia, sem o uso da sonda”, comenta.

Já a cirurgia robótica pode ser indicada para determinados casos de câncer de próstata, permitindo ao cirurgião realizar movimentos precisos com visão ampliada. A indicação depende das características da doença e das condições clínicas do paciente.

“Investimos em equipamentos e formação. Visitei centros de cirurgia a laser de próstata no Brasil, o que nos possibilitou aplicar esse novo tratamento aos nossos pacientes”, afirma Nogueira.

O médico reforça que os sintomas urinários não devem ser ignorados e que a avaliação especializada é fundamental para definir o tratamento mais adequado.