×
Copyright 2024 - Desenvolvido por Hesea Tecnologia e Sistemas

Acompanhamento regular para manter saúde renalrte

De acordo com o médico nefrologista João Carlos Borromeu, é possível haver sérios problemas renais sem qualquer sintoma

Saúde
Por Ocinei Trindade
21 de setembro de 2026 - 0h02
Nefrologista|Dr. Carlos Borromeu é especialista em saúde dos rins (Foto: Arquivo J3News)

Especialista em saúde dos rins e com quase quatro décadas de experiência, o médico nefrologista João Carlos Borromeu é coordenador do Serviço de Nefrologia do Hospital Geral Dr. Beda. Ao longo da carreira, acompanha pacientes com diferentes graus de comprometimento da função renal, inclusive aqueles que necessitam de tratamento por hemodiálise. Para o especialista, a prevenção e o acompanhamento médico são fundamentais para preservar a saúde dos rins.

“Os rins são órgãos duplos e essenciais para a sobrevivência. Eles fazem o equilíbrio hídrico e metabólico do organismo, regulam a pressão arterial e produzem a eritropoietina, que ajuda na produção do sangue, evitando a anemia. Um dos principais desafios relacionados às doenças renais é que elas podem evoluir sem apresentar sintomas perceptíveis. Alterações na pressão arterial, inchaços, anemia e mudanças no hábito urinário podem aparecer, mas nem sempre estão presentes nos estágios iniciais”, explica o nefrologista.

De acordo com o médico nefrologista, é possível haver sérios problemas renais sem qualquer sintoma. A pressão alta, os inchaços, a anemia e as alterações no hábito urinário são frequentes, mas existem doenças específicas dos rins, como as glomerulonefrites crônicas, que podem chegar a estágios avançados de doença de forma totalmente assintomática. Doutor Borromeu destaca ainda que diabetes e hipertensão arterial estão entre as principais causas de doença renal crônica em todo o mundo. As glomerulonefrites também estão entre as enfermidades que podem comprometer progressivamente a função dos rins.

A hidratação adequada também é apontada pelo especialista como um dos cuidados importantes para o funcionamento renal. “Os rins são responsáveis pelo nosso equilíbrio hídrico e eletrolítico e precisam estar bem perfundidos, tanto com uma boa hidratação quanto com um bom fluxo sanguíneo. Em média, devemos ingerir em torno de 30 a 35 mililitros de água por quilo de peso corporal. Assim, devemos manter uma boa diurese, ingerindo de 2 a 2,5 litros de água por dia”, orienta.

Para Borromeu, os cuidados com os rins estão diretamente relacionados à manutenção de uma boa saúde geral. Alimentação equilibrada, controle do peso e prática regular de atividades físicas fazem parte das medidas preventivas recomendadas.

“Para uma boa saúde renal, é preciso ter uma boa saúde geral. Hábitos alimentares saudáveis são a regra, com controle do peso. É importante evitar o excesso de sal e de alimentos ricos em gorduras, além de manter atividades físicas. Uma avaliação da função renal deve ser feita pelo menos uma vez por ano, com a dosagem da ureia e creatinina, um exame simples da urina e a avaliação da morfologia do aparelho urinário por meio de uma ultrassonografia”, explica.

Acompanhamento

O acompanhamento, segundo o nefrologista, deve considerar o paciente de forma integral, especialmente diante da presença de doenças crônicas que podem afetar os rins. Hipertensão arterial, diabetes, alterações nas taxas de colesterol e triglicerídeos e obesidade estão entre os fatores que exigem atenção. “É importante que o médico que cuida da pessoa de forma holística esteja atento às doenças crônicas, como hipertensão arterial, diabetes, dislipidemias e obesidade”, destaca.

De acordo com o especialista, o aumento da expectativa de vida de pessoas com diabetes e doenças cardíacas tem contribuído para o crescimento da incidência de doença renal crônica entre os idosos. “A incidência de doença renal crônica em idosos tem aumentado com a maior sobrevida de diabéticos e cardíacos. Além disso, o uso exagerado de anti-inflamatórios tem contribuído para a redução da função renal do idoso”, alerta Borromeu.