



Mesmo após o anúncio oficial de uma “reforma total” da Ponte Barcelos Martins, feito pelo prefeito Frederico Paes no último dia 16 de maio, o Governo do Estado segue sem apresentar informações concretas sobre prazos, valores ou responsabilidades pela obra. A falta de respostas ocorre em meio a uma situação que afeta diretamente moradores que dependem da travessia diária entre Guarus e a área central de Campos.
De acordo com matéria divulgada pela Prefeitura, o prefeito teria se reunido com secretários do Governo do Estado, que teriam sinalizado de forma positiva para a execução da reforma completa da ponte, com início “em breve”. No entanto, passados vários dias do anúncio, nenhuma informação técnica ou administrativa foi oficialmente confirmada.



Na última terça-feira (19), a reportagem solicitou esclarecimentos formais à Prefeitura de Campos e ao Governo do Estado sobre o anúncio da obra. O pedido foi reforçado na quinta-feira (21). À administração municipal, foram feitas perguntas sobre prazos de início e conclusão, valor estimado do investimento, origem dos recursos, principais intervenções previstas e se existe cronograma a ser divulgado à população.
Ao Governo do Estado, a reportagem questionou se haverá participação técnica ou financeira na obra, se existe previsão de repasse de recursos estaduais ou cooperação com o município e se órgãos estaduais acompanharão ou fiscalizarão a execução. Até o fechamento desta edição, nenhuma dessas perguntas foi respondida pelo Estado.
A única manifestação recebida partiu da Secretaria de Comunicação da Prefeitura, que informou que a obra será executada pelo Governo do Estado e que as informações poderiam ser obtidas diretamente com o órgão estadual. A resposta, no entanto, não esclarece o cenário e ainda reforça a falta de uma posição do Estado sobre um anúncio que foi publicamente atribuído a ele.
Durante Audiência Pública realizada na Câmara Municipal para discutir mobilidade urbana, o subsecretário de Mobilidade de Campos, Sérgio Mansur, informou que, a partir do início efetivo das obras na Ponte Barcelos Martins, a previsão é de interdição total por até dois anos.
“É uma recuperação complexa, porque é uma estrutura muito antiga, e a previsão benevolente seria de dois anos de recuperação. Vamos ter que pensar em alternativas. A população está sofrendo muito com o deslocamento pela ponte da Lapa, que também não está lá essas coisas estruturalmente”, afirmou.



Interdição
A ponte foi interditada pela Defesa Civil Municipal em fevereiro deste ano, após a cheia do Rio Paraíba do Sul provocar o recalque de um dos pilares do vão central, segundo a administração municipal. Conhecida como “Ponte de Ferro”, a Ponte Barcelos Martins é um dos principais corredores de pedestres, ciclistas e motociclistas entre Guarus e o Centro, utilizada majoritariamente por estudantes e trabalhadores.
No dia da interdição, quando o nível do rio ultrapassou 9, 45 metros, o então vice-prefeito Frederico Paes acompanhou a vistoria e confirmou a necessidade da medida por questões de segurança. Dias depois, equipes técnicas do município e do Governo do Estado realizaram uma vistoria conjunta para avaliar as intervenções necessárias.
Desde 28 de fevereiro, usuários da ponte são obrigados a recorrer a rotas alternativas, como as pontes Saturnino de Brito (da Lapa), Alair Ferreira e General Dutra. A Ponte Leonel Brizola não é indicada para pedestres e ciclistas, o que amplia as dificuldades de deslocamento diário.