A movimentação de pré-candidatos a deputado estadual em Campos que começa a se desenhar para 2026 aponta para um processo de reorganização das forças políticas locais, com impacto em projetos que já miram, de forma antecipada, o próximo ciclo político do município.
Com nomes confirmados, outros ainda especulados e lideranças que avaliam disputar cargos diferentes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nos bastidores da política em Campos ainda existe o sonho de formar uma bancada mais numerosa da cidade no parlamento estadual.


Entre os pré-candidatos, o vereador Marquinho do Transporte surge como um dos nomes já colocados no município. Eleito pela primeira vez em 2020, construiu sua identidade política a partir da pauta do transporte público. Reeleito em 2024, agora filiado ao DC, amplia o projeto político.


Já Bruno Dauaire entra na disputa como um dos nomes mais competitivos. Deputado estadual mais votado em Campos em 2022, com quase 50 mil votos apenas no município, consolidou atuação regional e mantém vínculo com o Executivo local.


Carla Machado é outro nome confirmado. Nascida em Campos, construiu sua trajetória política em São João da Barra, onde foi vereadora e prefeita por quatro mandatos. Está em seu primeiro mandato na Alerj e migrou recentemente do PT para o PSD. Segue apostando no forte prestígio político em sua cidade natal e na região.


Também está confirmada a pré-candidatura de Francimara Barbosa Lemos (SD). Ex-prefeita de São Francisco de Itabapoana, foi a primeira mulher eleita e reeleita para comandar o município. Após quase oito anos de gestão, encerrou o mandato e passou a integrar a assessoria do Governo do Estado. Seu nome surge como opção regional para a disputa.


Outro nome é o de Kassiano Tavares (PP), com base consolidada na Baixada Campista. Estreante em 2020, foi o vereador mais votado do município em 2024, resultado que o credencia como um dos pré-candidatos com maior capital eleitoral local para a disputa estadual.


Já Thiago Rangel chega ao processo com trajetória em dois níveis. Após estrear como vereador em 2020, foi candidato a deputado estadual em 2022, quando obteve mais de 31 mil votos. A tentativa de renovação do mandato vem acompanhada, nos bastidores, da leitura de que a Alerj também pode funcionar como ponte para projetos futuros, incluindo a disputa pela Prefeitura em 2028.


Com longa experiência política, Thiago Virgílio (Podemos) aposta no capital acumulado ao longo de cerca de duas décadas de atuação. Ex-vereador e dirigente partidário, hoje preside o Podemos em Campos e integra o grupo político do ex-prefeito de Campos e agora pré-candidato a deputado federal, Wladimir Garotinho (PL).


Na mesma lógica, o vereador Maicon Cruz, filiado ao PV, surge respaldado pela federação que integra PT, PCdoB e PV. Embora o PT não deva lançar candidatura própria no município, a composição federativa mantém o nome no jogo estadual.


Atualmente em Cabo Frio, a jornalista Ana Paula Mendes é bastante conhecida do público campista e consolidou a carreira na televisão antes de deixar o meio em 2023, o que cabe menção ao nome entre os candidatos ‘campistas’. Se filiou ao PSD é tratada nos bastidores como nome certo na corrida deste ano.


Uma das maiores incógnitas do processo é o nome de Marquinho Bacellar (União). A definição do futuro político do vereador está diretamente ligada às decisões do seu irmão, Rodrigo Bacellar, que ainda não existe confirmação se disputará novamente uma vaga na Alerj. Caso Rodrigo entre na disputa estadual, Marquinho tende a direcionar seu projeto para a Câmara dos Deputados, cenário em que enfrentaria diretamente Wladimir. Por outro lado, se Rodrigo não concorrer, Marquinho passa a ser o nome natural do grupo para disputar uma vaga na Alerj.
Ainda estão no radar a ativista histórica da causa animal em Campos, Taís Tostes, pelo Agir, e Hygor Barcellos (PP), liderança sindical com base em São João da Barra.
Pelo PL, a única candidatura concreta no município, até agora, é a de Wladimir Garotinho para a Câmara dos Deputados. Ainda não houve avanço nas conversas sobre candidaturas próprias a deputado estadual em Campos.
Já no PDT, a única pré-candidatura confirmada é a do vereador Leon Gomes à Câmara Federal. Em Campos, o partido chegou a tentar atrair Marquinho do Transporte, mas, na reta final das articulações, ele optou por não se filiar à legenda e fechou com o Democracia Cristã.
O PSOL, por ora, trabalha apenas com os nomes dos atuais deputados estaduais, que devem disputar a reeleição. No Republicanos, a informação apurada indica que não há, neste momento, candidatos confirmados em Campos para a disputa à Alerj.
O PSD, Podemos, Solidariedade, MDB, União e PP também foram procurados, através das executivas federais ou diretórios municipais, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.


Dificuldade para ampliar representação
Para o cientista político George Coutinho, a dificuldade histórica de Campos em ampliar sua representação na Alerj passa por fatores estruturais. “Podemos explicar o fenômeno de uma representação mais modesta de Campos na Alerj a partir de um conjunto de fatores. A região metropolitana apresenta um contingente populacional significativamente superior ao de Campos, o que gera maior densidade eleitoral nas disputas proporcionais. Isso cria uma vantagem competitiva para candidatos dessas regiões, fazendo com que Campos já parta de uma posição relativamente desfavorável em termos de representação, em função de seu menor peso populacional. Contudo, o contingente de eleitores do município está longe de ser inexpressivo”, afirma.
Outro ponto destacado por George Coutinho é o papel estratégico das nominatas partidárias na definição do cenário eleitoral. “É possível que lideranças locais com potencial competitivo optem por não disputar a Alerj, direcionando suas candidaturas para arenas consideradas mais estratégicas. Por outro lado, elites políticas de municípios vizinhos e menores, como no caso de Carla Machado e Bruno Dauaire, tendem a atribuir centralidade à ocupação de cadeiras na Alerj como etapa relevante de suas trajetórias políticas. Nessa racionalidade tática ou, se preferirmos, ‘contábil’, outras disputas podem ser avaliadas como menos viáveis ou muito arriscadas”, disse.
Entre os deputados estaduais que atualmente cumprem mandato, Thiago Rangel (Avante), Bruno Dauaire (União) e Carla Machado (PSD) possuem domicílio eleitoral em Campos. Consolidado em Campos, Rodrigo Bacellar (União) sofreu uma cassação de mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março deste ano, e encerrou sua condição de parlamentar estadual.
A Alerj como etapa de projetos maiores
Na avaliação do George, a eleição para deputado estadual frequentemente carrega objetivos que vão além do próprio mandato. “A Alerj projeta nomes, tem potencial para criar capital político, possibilita a construção de redes, permite a circulação entre as elites partidárias estaduais. A Alerj pode, sim, ser vista como etapa e recurso que permite o ousado voo da disputa para ser prefeito ou prefeita de uma cidade de porte médio com um dos maiores orçamentos do país, o caso de Campos. Então, a Alerj pode ser recurso útil tático mirando em 2028”, finalizou.