

Um convênio com o Ministério da Saúde, por meio do Programa Mais Especialistas, prevê a realização de cirurgias cardíacas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital Dr. Beda, em Campos dos Goytacazes, no período de um ano. A execução está prevista para começar em abril, segundo expectativas. O objetivo é reduzir a fila de espera por cirurgias em todo o país. Isso ampliará o acesso de pacientes do Estado do Rio de Janeiro a procedimentos de alta complexidade em uma unidade privada, já que o Grupo IMNE é reconhecido pela qualidade assistencial no interior fluminense.


Para o médico e cirurgião cardiovascular Pedro Conte, a assinatura do contrato representa um avanço significativo para a saúde pública regional. Ele esteve com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no dia 26 de março, em Niterói, durante solenidade do Governo Federal. “Formalizamos a assinatura do contrato com o Ministério da Saúde. Trata-se de uma iniciativa que contempla a realização de cirurgias cardíacas e que deve começar a ser executada em abril, no Hospital Dr. Beda”, afirmou.
O programa fortalece a integração entre o setor público e privado. “É um programa extremamente importante, pois amplia o atendimento a pacientes do SUS dentro de unidades privadas. Representa um avanço tanto para o hospital quanto para o município e também para cidades vizinhas, já que permitirá atender pacientes de todo o estado do Rio de Janeiro”, disse.
O convênio prevê um investimento total de cerca de R$ 8 milhões, com repasses mensais próximos de R$ 723 mil. A expectativa é realizar aproximadamente 19 cirurgias cardíacas por mês. “É um volume significativo que reforça a importância de contar com uma estrutura como a do Hospital Dr. Beda, reconhecida pela qualidade e segurança”, ressaltou Pedro Conte.


Para a diretora administrativa do Grupo IMNE, Martha Henriques, a adesão do Beda ao programa do Ministério da Saúde é de grande relevância:
“Nós, de Campos dos Goytacazes, fomos os únicos a ingressar diretamente nesse programa junto ao Ministério da Saúde. Recebemos o comunicado, manifestamos interesse e fomos contemplados. Trata-se de um programa que envolve, em parte, créditos tributários, o que nos dá mais segurança e previsibilidade. Não dependemos do governo local, pois os recursos vêm diretamente do Ministério da Saúde. Embora siga a hierarquia do SUS, há essa garantia de repasse. Já a regulação de vagas é feita pelo Estado, o que nos permite atender pacientes de todo o território fluminense. Inicialmente, estão previstos, por mês, 17 procedimentos de revascularização e duas trocas valvares. Os pacientes podem ser encaminhados de qualquer região do estado, com direito à internação, que tem uma média de oito a dez dias. Após esse período, retornam às suas cidades de origem”, explica Martha.
Atendimento e novos convênios esperados
De acordo com Martha Henriques, neste momento, o mais importante é oferecer aos pacientes do SUS a mesma qualidade de assistência que o Hospital Dr. Beda já pratica. “Temos a convicção de que estamos cumprindo nossa missão em parceria com o poder público, o que nos traz grande satisfação”.
Outras duas solicitações ao Ministério da Saúde foram feitas pela direção do IMNE: a inclusão de cirurgias de cabeça e pescoço e de urologia, voltadas para pacientes de fora do município de Campos. “Atualmente, somos classificados como unidade de alta complexidade em oncologia (Unacon), mas enfrentamos limitações. Desde uma reunião realizada no ano passado, não estamos autorizados a atender pacientes de outros municípios nessas especialidades, apesar de sermos referência de macrorregião. Isso nos causa frustração, já que há uma demanda constante de cidades vizinhas, como São João da Barra, São Francisco de Itabapoana e Macaé, entre outras”, cita a diretora administrativa. Ela complementa:
“Nossa proposta inclui a realização de mais de 17 procedimentos mensais na área de cabeça e pescoço e cerca de 13 cirurgias urológicas, incluindo casos de câncer de próstata. Para nossa equipe, é fundamental ampliar essa parceria, permitindo atender pacientes do SUS com o mesmo padrão de qualidade oferecido a todos que passam pelo hospital”, afirma.




Referência em Cardiologia
Atualmente, o CardioBeda e o Beda Prime contam com 17 médicos cardiologistas que atendem por meio de convênios privados. Além das consultas, as unidades oferecem uma série de exames e serviços. O Grupo IMNE conta com um moderno parque tecnológico, hemodinâmica e setor de imagens, além da Clínica Excelência.


A Emergência do Hospital Dr. Beda possui equipes para atendimento a pacientes com sintomas e problemas cardiovasculares. O cardiologista Nicolau Schettini, um dos responsáveis pelo setor, ao analisar o cenário das cirurgias cardíacas no país, destaca que a demanda é crescente e reflete problemas estruturais da saúde pública. “Costumamos dizer que isso está diretamente relacionado às fragilidades da atenção básica de saúde no país”. Ele aponta que doenças crônicas e fatores de risco ainda são muito presentes na população. “Hipertensão, diabetes e o tabagismo são fatores de risco importantes e ainda muito comuns. Quando não controlados, acabam evoluindo para complicações cardiovasculares mais graves, muitas vezes com necessidade de intervenção cirúrgica”, disse.
Para o especialista, ampliar a oferta de cirurgias cardíacas é essencial. “Além de ampliar a oferta de cirurgias, como propõe o convênio com o SUS, é fundamental fortalecer a prevenção e o acompanhamento na atenção básica. Ainda assim, o volume de pacientes que já necessitam de cirurgia é elevado, o que reforça a importância de iniciativas como essa para reduzir filas e ampliar o acesso ao tratamento adequado”, destacou.


Tempo de cirurgias
O programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal e do Ministério da Saúde, busca reduzir as filas do SUS para consultas, exames e cirurgias de média e alta complexidade. A estratégia inclui mutirões, unidades móveis, telessaúde e parcerias com a rede privada para agilizar atendimentos, especialmente na área oncológica e cirúrgica.
Estima-se que cerca de 48 mil pacientes aguardam por cirurgias em hospitais do Rio de Janeiro, especialmente nas áreas de alta complexidade, como a cardiologia. O acesso aos procedimentos é regulado pelo Sistema Estadual de Regulação (SER), que organiza a fila conforme critérios clínicos e disponibilidade de vagas. A reportagem questionou esses números junto à Secretaria de Estado de Saúde, mas não foi informado quantas pessoas aguardam por uma cirurgia cardíaca pelo SUS. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) informou que aguarda a publicação de portaria do Ministério da Saúde para divulgar datas e a seleção de pacientes que serão submetidos à cirurgia.
A Secretaria Municipal de Saúde de Campos vê com expectativa positiva a formalização do convênio, entendendo que a iniciativa pode contribuir de forma significativa para a ampliação do acesso a cirurgias cardíacas pelo SUS e, consequentemente, para a redução das filas de espera por esses procedimentos no estado.
No Hospital Dr. Beda, os cirurgiões cardiovasculares Claudio Sobrosa e Pedro Conte estarão à frente das cirurgias realizadas pelo SUS.
“A execução do projeto contará com uma equipe multiprofissional ampla. Somando médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos de enfermagem, profissionais de nutrição e toda a equipe assistencial, a estimativa é envolver entre 30 e 40 profissionais para a execução do programa”, concluiu Pedro Conte.