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Coração merece atenção em crianças com síndromes genéticas

A cardiologista pediátrica Ana Paula Chalita explica como o diagnóstico precoce pode garantir qualidade de vida

J3 Saúde
Por Leonardo Pedrosa
15 de março de 2026 - 0h03
Foto: Reprodução/Instagram

Receber o diagnóstico de uma síndrome genética na infância quase sempre vem acompanhado de insegurança e muitas perguntas. Entre elas, uma das mais comuns é sobre o coração e os limites da criança no dia a dia. Será que pode correr, brincar, praticar esporte? Com acompanhamento adequado, informação clara e diálogo com a família, muitas dessas dúvidas encontram respostas que trazem tranquilidade e qualidade de vida desde cedo.

Segundo a cardiologista pediátrica Ana Paula Chalita, genes ligados às síndromes genéticas também participam da formação cardíaca ainda na gestação. Por isso, alterações estruturais são relativamente frequentes e podem variar de defeitos simples a quadros mais complexos, como os defeitos do septo atrioventricular, comuns na Síndrome de Down, ou a coarctação da aorta, associada à Síndrome de Turner.

Essas cardiopatias geralmente são percebidas ainda na infância, muitas vezes durante consultas de rotina. Um sopro cardíaco identificado pelo pediatra costuma ser o primeiro sinal de alerta, seguido por exames específicos, como o ecocardiograma, que permite avaliar com precisão a anatomia e o funcionamento do coração. Em casa, sinais como cansaço excessivo, dificuldade para ganhar peso, respiração acelerada ou infecções respiratórias frequentes também merecem atenção.

“Na infância, essas alterações costumam ser identificadas por meio do exame físico, quando o pediatra percebe um sopro cardíaco, e confirmadas com exames como o ecocardiograma. O diagnóstico precoce das cardiopatias em crianças com síndromes genéticas permite iniciar o acompanhamento e o tratamento no momento adequado, seja clínico ou cirúrgico. Isso reduz complicações, melhora o desenvolvimento da criança e contribui para uma melhor qualidade de vida ao longo do crescimento”, explica a médica.

Avaliação individual define possibilidades para crianças com cardiopatias

Um dos questionamentos mais comuns entre famílias é se crianças com doenças cardíacas podem praticar esportes. A resposta, segundo a especialista, é que na maioria dos casos, sim, desde que haja avaliação individualizada. O cardiologista analisa o tipo de cardiopatia, sua gravidade, a função cardíaca e exames complementares antes de orientar quais atividades são seguras.

“Muitas crianças com doença cardíaca podem praticar atividades físicas, mas isso depende do tipo e da gravidade da cardiopatia. Antes de liberar ou restringir o exercício, o cardiologista avalia o diagnóstico da doença, a função do coração, a presença de sintomas e exames como eletrocardiograma e ecocardiograma. A partir dessa avaliação, é possível orientar quais atividades são seguras”, afirma.

Outro ponto essencial é o acompanhamento contínuo. A evolução da cardiopatia pode mudar ao longo do crescimento, exigindo ajustes nos cuidados. “O diálogo entre médico, família e escola ajuda a garantir segurança, inclusão e autonomia, permitindo que a criança participe das atividades de forma saudável, respeitando seus limites e favorecendo seu desenvolvimento”, acrescenta a médica.

Consultório: Edifício Medical Center, sala 408, Campos.
Telefone: (22) 99977-1241
Redes sociais: @dra.anapaulachalita