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Entre Campos e Brasília: futuro de Wladimir deve ser definido até abril

Decisão pode levar à transmissão de cargo ao vice e redesenhar o equilíbrio político local para as eleições de outubro

Especial J3
Por Ocinei Trindade
22 de fevereiro de 2026 - 0h01
A grande decisão|Nos bastidores é dada como certa a saíde de Wladimir da Prefeitura (Foto: Arquivo Pessoal)

Fontes ligadas ao prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho (Progressistas), afirmam que ele deixará o cargo para disputar as eleições de outubro. A data limite para desincompatibilização é 4 de abril, de acordo com a Lei Eleitoral. Desde o ano passado, é especulada sua saída para concorrer ao pleito de 2026. Seu nome foi cogitado como pré-candidato a vice-governador na chapa de Eduardo Paes (PSD), prefeito do Rio de Janeiro, que pretende concorrer ao Governo do Rio, mas este decidiu por Jane Reis (MDB). Wladimir deve disputar a eleição para deputado federal, cargo que ocupou em 2019, antes de se tornar prefeito. Ao J3News, ele disse apenas que ainda irá decidir sobre seu futuro.

Além do futuro político de Wladimir Garotinho, existem outras especulações sobre sua eventual saída da Prefeitura de Campos. Entre elas, como seria a ascensão do vice-prefeito Frederico Paes (MDB) ao posto de chefe do Executivo municipal a partir de abril e como a população campista reagirá diante dessas prováveis alterações no cenário político-administrativo. Em setembro de 2025, Wladimir deu o seguinte depoimento ao J3News sobre a possibilidade de deixar o governo e concorrer às eleições de outubro deste ano:

Wladimir Garotinho (Foto: César Ferreira)

“O meu futuro político depende do que for melhor para a cidade. Os governos federal e estadual vivem graves problemas fiscais e financeiros, e isso tem atrapalhado muito todos os municípios que dependem de repasses. As possibilidades de ser vice-governador ou deputado federal dependem de como eu posso contribuir mais com a minha cidade e região”.

As especulações sobre a troca de comando na Prefeitura de Campos dos Goytacazes têm gerado uma série de discussões e movimentações de políticos e partidos. O mesmo ocorreu para definir o nome do vice na chapa do pré-candidato Eduardo Paes ao Governo do Rio de Janeiro. Outros nomes de políticos fluminenses apareceram em listas de apostas, como o prefeito de Macaé, Welberth Rezende (Cidadania); e o ex-prefeito de Angra dos Reis, Fernando Jordão (MDB). No entanto, na quinta-feira (19), a advogada Jane Reis (MDB) foi anunciada como vice na chapa de Paes. Ela é irmã de Washington Reis, presidente estadual do MDB e ex-prefeito de Duque de Caxias, reduto político da família na Baixada Fluminense.

Dentro de pouco tempo, dizem especialistas, o cenário político em Campos começará a definir o futuro do município. O cientista político José Luis Vianna Cruz considera que Wladimir deseja voos maiores. “Está seguindo o DNA do clã Garotinho, como uma forma de a família se manter influente na política. Quanto ao cargo, vai depender muito do jogo político, tanto nacional quanto estadual”, resume.

Suposto retorno a Brasília
O analista político e articulista do J3News, Rodrigo Lira, observa a possibilidade de Wladimir deixar a Prefeitura e transmitir o cargo para seu vice, Frederico Paes, e o que esse gesto pode provocar política e economicamente em Campos:

Rodrigo Lira (Foto: Arquivo Pessoal)

“Considerando que Wladimir já foi reeleito e não pode disputar um novo mandato municipal, é natural que surja a hipótese de desincompatibilização para concorrer a deputado federal — cargo que já ocupou e no qual teve atuação reconhecida. Esse movimento faz sentido dentro da lógica política tradicional: manter protagonismo, ampliar base e preservar capital eleitoral”.

E completa: “Do ponto de vista administrativo, a eventual ascensão de Frederico Paes tende a produzir mudanças limitadas no curto prazo. Restará pouco tempo de governo para uma inflexão estrutural, além da necessidade política de manter alinhamento com Wladimir, sobretudo se houver projeto sucessório em 2028”, diz Rodrigo.

A provável saída de Wladimir Garotinho pode ser interpretada de diferentes maneiras por seus eleitores e opositores, na avaliação de Rodrigo Lira:

Frederico Paes (Foto: Josh)

“Wladimir já vem sinalizando publicamente a possibilidade de disputar espaço em Brasília, especialmente quando mencionou, em recente reunião de secretariado, a ausência de um deputado federal ‘forte’ para defender os interesses de Campos. Esse discurso prepara o terreno narrativo para uma eventual candidatura, sugerindo que sua saída não seria abandono, mas estratégia para fortalecer o município em outra esfera. Ele possui forte capacidade comunicativa, sobretudo nas redes sociais, o que lhe permite moldar a interpretação política do movimento. Apesar das dificuldades estruturais do município, tem conseguido manter níveis relevantes de popularidade. O desafio maior será para Frederico: sustentar índices de aprovação sem a mesma habilidade de comunicação e enfrentando problemas crônicos — especialmente nas áreas de saúde, transporte e educação”, comenta.

Deputado e prefeito
O cientista político e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), George Coutinho, avalia a experiência política de Wladimir Garotinho nos últimos anos e seus supostos novos rumos.

George Coutinho (Foto: J3News)

“Trata-se de um político jovem, bem-sucedido, que tem feito uma boa gestão de sua carreira. Já teve experiência na Câmara dos Deputados e foi eleito duas vezes para a prefeitura de sua cidade. Também demonstrou, em diversas ocasiões, racionalidade e pragmatismo. Por isso, creio que a decisão de sair ou não do cargo de prefeito para disputar outro posto em 2026 será tomada levando em conta os aspectos favoráveis e desfavoráveis. Parece-me um cenário um tanto nublado, com horizonte ainda turvo. Caso considere que deve deixar a prefeitura em abril, veremos Frederico Paes atuando mais explicitamente como gestor público. Ele é discreto no exercício da vice-prefeitura, demonstrou razoabilidade em suas intervenções na opinião pública e tem em seu currículo experiência administrativa no setor sucroalcooleiro e hospitalar. Contudo, não tenho clareza sobre qual seria o tom de sua gestão: seria uma continuidade ou implicaria uma ruptura, um ‘modo Paes’ de governar?”, pondera.

José Luis Vianna (Foto: J3News)

Um provável governo de Frederico Paes em Campos deve gerar expectativas e especulações nem sempre positivas. Para o também professor da UFF, José Luis Vianna, o momento não é de certezas. “Estamos inseguros quanto ao futuro de Campos, pois o pequeno grupo de poder que sempre monopolizou a Prefeitura continua forte. E é isso que não me permite ser otimista. Na política, é um grupo reacionário, conservador e radical de direita”, opina.

Para George Coutinho, caso se confirme a saída de Wladimir da Prefeitura, eleitores e adversários terão diferentes interpretações. “Os adversários dirão, previsivelmente, que Wladimir utilizou a Prefeitura como mero trampolim. Já aqueles que veem nele uma liderança, considerarão o movimento como algo natural. Alguns falarão em abandono; outros sustentarão que é importante ampliar a atuação em outros espaços institucionais”, conclui.