

A morte do cão Orelha, em Florianópolis (SC), vítima de espancamento e que precisou ser eutanasiado, motivou uma manifestação de ativistas e defensores da causa animal em Campos dos Goytacazes, na manhã deste domingo (1º), na Praça do Santíssimo Salvador. O caso, que comoveu o Brasil e tem três adolescentes suspeitos de participação na agressão, foi lembrado como símbolo de uma violência que também se repete no município, com denúncias frequentes de maus-tratos, abandono e crueldade contra animais.
Durante o ato, protetores cobraram mais rigor das autoridades e o cumprimento efetivo das leis de proteção animal. Uma missa foi celebrada no local e contou com a participação de padres, reforçando o caráter de mobilização pública e de apelo por justiça.


A ativista, jornalista e pós-graduanda em Direito Animal, Thaís Tostes, afirmou que o caso do Orelha representa um “retrato da barbárie” e comparou a comoção nacional com outros episódios de violência extrema, como o do cavalo de Bananal, que teve as patas decepadas ainda vivo. Para ela, a repercussão evidencia uma indignação social acumulada diante do sofrimento animal.


Thaís defendeu o aumento das penas não apenas para crimes contra cães e gatos — que passaram a ter punição de dois a cinco anos com a Lei Sansão —, mas também para outros animais, como cavalos e silvestres. Ela citou ainda a aprovação do PL 347/03, que segue para o Senado e propõe pena de dois a oito anos de reclusão, além de tornar o crime inafiançável. “É preciso que a sociedade trave uma luta jurídica e política para melhoria das leis e que bombardeie as delegacias com registros de ocorrência denunciando violência e maus-tratos”, declarou.


A protetora Joseth Bravo também cobrou punição aos responsáveis e reforçou a importância do respeito aos animais. “Ninguém é obrigado a gostar de animal, mas respeitar é um dever. Pedimos que o caso do Orelha não fique impune”, disse, destacando ainda a necessidade de apoio da população aos protetores e ações de cuidado para reduzir o número de animais abandonados nas ruas.
Integrante do grupo Agrada, a protetora Ana Câncio afirmou que o protesto foi um pedido de justiça “pelo Orelha e por todos os Orelhas que existem em Campos”, mencionando situações recorrentes envolvendo envenenamento de cães e gatos e casos de extrema crueldade contra cavalos.


Na mesma linha, Érica Naegle disse que a sociedade se vê chocada diante de episódios de violência contra animais e defendeu que as leis existentes sejam cumpridas. Já a protetora Agnes Santos reforçou que a realidade local é marcada por denúncias diárias e que os órgãos responsáveis precisam agir. “Leis existem e os órgãos precisam cumpri-las”, afirmou.