

Verão, férias, praia, descanso, lazer. Janeiro é mês de tudo isso, mas também para uma grande parcela da população é tempo de planejar a volta às aulas. A procura pelos itens de material escolar é o principal combustível do comércio no início de ano. Em Campos, a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) realizou um levantamento sobre os valores e trouxe um alerta: a variação nos preços de uma loja para a outra chega a 1.550%.
Durante a pesquisa, foram analisados 52 produtos, como caderno, borracha, lápis, hidrocor, corretivo, dicionário, caneta, cola, giz de cera e pasta com elástico. O Procon realizou o trabalho em seis lojas da cidade, entre os dias 11 e 12 de janeiro. A maior diferença registrada foi do glitter, encontrado por R$ 9,90 no maior preço e por R$ 0,60 no menor, representando uma variação de 1.550%.
As discrepâncias não pararam por aí. A embalagem de grafite 0.5 com 12 unidades foi verificada no balanço com valores entre R$0,79 e R$ 11,99. Variação que ultrapassa 1.400%. A embalagem de lápis preto nº 2, com quatro unidades, vai de R$ 1,40 a R$ 10,50, dependendo da loja. Uma diferença de preço que equivale a 650%. Por outro lado, o livro de tabuada não apresentou variação nos estabelecimentos fiscalizados pelo órgão municipal, podendo ser encontrado a R$ 0,99. A tabela completa dos preços de material escolar foi divulgada nas redes sociais do Procon Campos e pode ser conferida também ao final desta reportagem.
O Procon esclareceu que o levantamento leva em consideração o menor preço encontrado nas lojas, já que os estabelecimentos podem trabalhar com fornecedores e marcas diferentes, o que pode ocasionar uma maior variação de preço. Alguns produtos foram encontrados sendo comercializados em forma de kits, dessa forma o órgão fracionou e calculou o valor unitário. “Encontramos diferenças de preços bem alarmantes. Coisas que eu nunca tinha visto. O que demonstra a importância da pesquisa. Afinal, ela ajuda o consumidor a economizar neste momento, explica o secretário-executivo do Procon Campos, Carlos Fernando Monteiro.


O que as escolas não podem pedir
O Procon divulgou também neste mês de janeiro a lista de materiais que as escolas particulares não podem pedir aos pais ou responsáveis dos alunos. O órgão orienta que só é permitido que as instituições solicitem itens de uso individual dos estudantes, ligados às atividades pedagógicas e com indicação de como e quando serão utilizados ao longo do ano letivo – sendo vetado, assim, materiais de utilização coletiva. Álcool, bolas de soprar, pratos copos descartáveis, elaster, feltro, fita dupla face, durex, fitas decorativas, fitilho, grampeador e grampos, jogos pedagógicos, lenços descartáveis, marcador para retroprojetor, papel higiênico e pincel atômico estão entre esses itens.
“É muito importante levar essa orientação aos pais e alunos, bem como às próprias escolas, sobre o que elas podem ou não exigir. Porque entendemos que muitas vezes essas instituições até desconhecem essas regras. Assim, com esse trabalho ajudamos às duas partes”, acrescenta Carlos Fernando.


Movimentação
Diretora comercial de uma das tradicionais lojas do ramo na cidade, Amanda Pereira conta que grande parte das vendas se concentra de fato neste período. “Desde o final de novembro, já começa a movimentação de volta às aulas. Mas, a maioria deixa mesmo para a última hora. O pico do movimento é depois do feriado de Santo Amaro, se estendendo até o pós-Carnaval. Podemos dizer que 80% das nossas vendas anuais são nesta temporada”, pontua.
O técnico de serviços Antônio Fonseca relata que na hora de decidir onde comprar os materiais da filha Maria Clara, dois fatores são decisivos: “Costumamos ir geralmente em duas lojas no máximo. Onde tem o melhor preço e atendimento, a gente já compra”, comenta. Aline Azevedo é mãe do Enzo, que vai para o 4° ano do ensino fundamental neste ano. Ela também começou nos últimos dias a visitar estabelecimentos para dar início às compras. “Já fui a três lojas. Pesquisei bastante e estou começando a comprar, porque ele volta a estudar antes do Carnaval”, diz.



