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Prevenção e diagnóstico precoce de doenças intestinais

Médica coloproctologista Gabriela Portal Monteiro integra a equipe do Beda Prime

Saúde
Por Ocinei Trindade
19 de janeiro de 2026 - 0h02
Gastro Prime|Dra. Gabriela Portal Monteiro faz recomendações (Foto: Arquivo Pessoal)

Doenças do intestino grosso, reto e ânus ainda são cercadas por tabu, receio e desinformação, fatores que podem atrasar diagnósticos e comprometer a qualidade de vida dos pacientes. O alerta é da médica coloproctologista Gabriela Portal Monteiro, que destaca a importância da prevenção, do acompanhamento médico regular e da atenção aos sinais do corpo. Ela faz parte da equipe de profissionais do Gastro Prime, setor específico no quinto andar do Beda Prime.

A coloproctologia é responsável pelo tratamento de uma ampla variedade de patologias. “Entre as mais comuns estão a doença hemorroidária, fissuras e fístulas anais, prolapso retal, constipação, incontinência fecal, doença diverticular, doenças inflamatórias intestinais, diarreia crônica, pólipos e neoplasias anais e colorretais”, explica a médica. Ela ressalta que a procura por um especialista deve ocorrer diante de sintomas persistentes ou sinais de alerta:

“Sangue ou muco nas fezes, mudança do hábito intestinal, perda de peso não intencional, dor abdominal, anal ou retal persistente e histórico familiar de câncer são situações que exigem avaliação médica, além do rastreamento preventivo”, afirma.

Muitos pacientes ainda adiam a consulta por vergonha ou receio. “Esse comportamento é bastante comum, mas pode ocasionar atraso no diagnóstico. Condições que seriam simples no início podem se agravar e exigir tratamentos mais complexos e invasivos, impactando diretamente a qualidade de vida”, alerta.

Entre os sintomas que também nunca devem ser ignorados estão perda de peso acentuada sem causa aparente, anemia, dor ou prurido anal, saída de muco e urgência evacuatória. “Principalmente quando esses sintomas são persistentes ou progressivos”, reforça.

O crescimento dos casos de câncer colorretal está relacionado a diversos fatores. “Reflete, principalmente, mudanças no estilo de vida, como maior consumo de alimentos processados, sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool, além do envelhecimento da população e da melhora no rastreamento e no diagnóstico”, explica.

Exames e tratamentos
O exame da colonoscopia é fundamental. “Para a população geral, recomenda-se iniciar o rastreamento aos 45 anos. Em casos de histórico familiar, o ideal é começar aos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado. O exame pode ser indicado em qualquer idade quando há sinais de alerta e, em pacientes com doenças inflamatórias intestinais, o rastreio deve começar entre oito e dez anos após o diagnóstico, respeitando também particularidades de síndromes genéticas”.

Uma dieta pobre em fibras e rica em alimentos processados, o sedentarismo e o estresse podem alterar a microbiota intestinal, favorecer inflamações e agravar distúrbios como a constipação. Doenças comuns, como hemorroidas e fissuras anais, também merecem atenção. “Se não forem tratadas corretamente, podem evoluir para quadros mais complexos, como trombose hemorroidária, aumento do prolapso, sangramento crônico, inflamação, ulcerações, dor persistente, abscessos e fístulas”, alerta.

Nos últimos anos, houve avanços da coloproctologia com procedimentos menos invasivos, que reduzem dor, tempo de internação e aceleram a recuperação. Entre as opções estão o uso de laser para doenças hemorroidárias, fissuras e fístulas, procedimentos com auxílio de Doppler, aplicação de toxina botulínica, neuroestimulação sacral, além de técnicas como videolaparoscopia e cirurgia robótica. Para pacientes com doenças intestinais crônicas, o acompanhamento regular é fundamental. “Permite melhor controle do tratamento, redução das crises, prevenção de complicações, rastreamento oncológico adequado e melhora do estado nutricional e da saúde mental, promovendo mais qualidade de vida”, conclui.